quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Escola de Música do Conservatório Nacional:

Só com luta dura e prolongada os estudantes, pais e professores vencerão!


O Conservatório para a Música criado em Lisboa nasce de um projecto proposto pelo compositor português João Domingos Bomtempo (1775-1842), um pedagogo de reconhecido mérito na sua época. A sua pretensão era colocar em marcha a reforma do ensino musical em Portugal, contando para tal com as experiências e contactos que tinha acumulado, particularmente em França e na Inglaterra.

Apesar de o projecto inicial, que seguia o modelo parisiense, ter sido proposto em Junho de 1834, só quase um ano depois, por decreto de Junho de 1835, o Conservatório de Música, então como anexo à Casa Pia, foi concretizado, sendo atribuída a sua direcção ao próprio João Domingos Bomtempo.
Uma luta dura e prolongada contra os velhos do Restelo que naquela época, como hoje, vêm na cultura uma ameaça e um alvo a abater, pois contribui para elevar a consciência daqueles que a ela têm acesso.
Tanto o actual governo PSD/CDS, como o anterior, liderado por Sócrates e pelo PS, seguiram nesta matéria – isto é, na frente cultural – a mesma política que Goebels, antigo ministro de Hitler. Quem se atrevesse a falar de cultura ao pé de si era liminarmente abatido a tiro.

Só assim se compreende o estado de abandono, desprezo e destruição a que estes governos do chamado bloco central votaram a cultura e, no caso em concreto, o Conservatório Nacional. Há cerca de 75 anos que o edifício não é sujeito a qualquer obra de restauro, ampliação, conservação ou, muito menos, modernização. Está, pois, a cair aos bocados e ameaça tornar-se, muito rapidamente, mais uma das ruínas e destroços que abundam na capital.

A Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN), que representa uma parte significativa e significante da actividade desta instituição de ensino secular ocupa cerca de 50 salas. Na sequência de uma vistoria levada a cabo, e por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, esta tomou a decisão de mandar encerrar e selar 10 dessas salas, isto é, um quinto do espaço disponível para as suas actividades.

Hoje, segundo dia da concentração frente ao Conservatório Nacional para impôr o financiamento e realização de obras imediatas,  este vigoroso processo de luta obrigou a que a DGESTE (Direcção-Geral dos Estabelecimentos de Ensino, organismo tutelado pelo Ministério da Educação) se sentasse esta manhã com uma Comissão composta por representantes de professores, alunos e pais da EMCN.

Durante a supracitada reunião, a DGEST assumiu o compromisso de libertar as verbas necessárias à concretização urgente e imediata de obras de conservação e restauro que permitam a reabertura das salas encerradas e a prática do ensino com qualidade e segurança em toda a escola.

Como actualmente têm de contar com a generosidade de outras instituições de ensino vizinhas – como é o caso do Passos Manuel – que cedem salas para poderem leccionar as matérias curriculares ou , pura e simplesmente, praticar e ensaiar, professores, alunos e pais estão preocupados com a possibilidade de poderem surgir comportamentos de desânimo e abandono escolar, decorrentes do desconforto e insegurança que a situação que vimos a descrever provoca.

Para além disso, professores, alunos e pais revelam a sua preocupação em preservar um riquíssimo espólio, sobretudo de instrumentos musicais, mas não só, com grande valor histórico, que se degrada todos os dias, sujeitos que estão à humidade, à chuva, à queda de tectos e paredes, ao pó, etc.

Esta tarde decorreu uma Assembleia Geral onde professores, alunos e pais se congratularam pelo alegado compromisso que impuseram à DGEST e ao MEC. Mas, demonstrando ter consciência de que palavras leva-as o vento e de que de promessas têm um saco cheio, decidiram não baixar os braços, nem aliviar a pressão e a luta até que as obras, para cuja execução se exigia financiamento, estejam concluídas.

A consciência da necessidade de unir todas as forças e sectores do Conservatório Nacional – mesmo aqueles que, alegadamente, acreditam não estar a ser afectados pela presente situação – esteve bem patente no cordão humano que hoje envolveu todo o quarteirão onde se situa o edifício do Conservatório Nacional.


Para que professores, alunos e pais da Escola de Música do Conservatório Nacional possam vencer esta luta, essa unidade tem de ser aprofundada, alargada e cultivada todos os dias. Para ousar vencer, há que ousar lutar, há que ousar unir!















quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

HSBC: O lastro da corrupção e da morte!

A história do capitalismo e do seu estádio supremo, o imperialismo é, por um lado, a história de uma arrepiante sucessão de crimes, assassinatos, genocídios, guerras, torturas, pilhagens e destruição, invasão e domínio exercidos sobre povos e nações e, por outro, a certeza de que ele só pode ser derrubado por uma violência superior àquela que empregou para se manter no poder.

Quer o chamado capitalismo ocidental, quer o que resultou das nomenclaturas revisionistas que tomaram de assalto os aparelhos dos partidos comunistas na URSS e na China, do estado e do aparelho produtivo, transformando nações onde revoluções socialistas haviam implementado novas relações de produção socialistas em países onde passou a pontificar o capitalismo de estado e a burguesia de estado, férteis em figuras de proa cuja carreira, num sistema que se baseia na exploração do homem pelo homem, começou organizando-se em autênticos gangs de faccínoras e bandidos comuns.
Para, passadas algumas gerações, cadeias de favor, corrupção e compadrio, se tornarem legítimos e honrados empreendedores, à custa de um recorrente processo de lavagem de dinheiro e de consciências, de cumplicidades a todos os níveis do aparelho de estado, da justiça e desse instrumento de eleição ao qual a burguesia, a classe dominante, deita mão quando deseja que o que se lava fique mais branco… a banca!
O recente escândalo que recebeu o nome de código de Swissleaks é disso um paradigmático exemplo. Um astuto e oportunista quanto baste informático, com a cumplicidade de uns tantos apaniguados, roubou milhares de dados que demonstravam que o HSBC (Hong Kong and Shangai Bank Corporation) havia lavado dinheiro de ditadores, traficantes de armas e drogas, auxiliado todo tipo de gente a operar fraudes fiscais milionárias e a abrir empresas offshore, levando a que a casa mãe tivesse que emitir um seco comunicado no qual informava que tais práticas, ocorridas até 2007, não tinham mais lugar e que, desde então, os padrões de controle estavam noutro patamar.
A realidade, porém, demonstra que a cobra pode perder a pele, mas não os seus intentos nem, muito menos, o seu perigoso veneno. Num artigo publicado por Vladimir Safatle a 15/02/2015, depois de afirmar que traficantes de drogas e armas não teriam tanto poder se não existissem bancos que oferecem os seus serviços de lavagem de dinheiro, o autor contextualiza as circunstâncias históricas em que se constituiu o HSBC.
Estamos em 1860. O Império Britânico acaba de vencer a famosa “Guerra do Ópio” contra a China, talvez uma das páginas mais cínicas e criminosas da história cínica e criminosa do colonialismo. Metade do comércio da Inglaterra com a China baseia-se na venda ilegal de ópio. Diante da devastação provocada pela droga na sua população, o governo chinês resolve proibir radicalmente o seu comércio. A resposta chega por uma sucessão de guerras nas quais a Inglaterra vence e obriga a China a abrir os seus portos para os traficantes e missionários cristãos (uma dupla infalível, como veremos mais à frente), além de ocupar Hong Kong por 155 anos.
 Em 1860, terminada a guerra, os ingleses tiveram a ideia de abrir um banco para financiar o comércio baseado no tráfico de drogas. Dessa forma apoteótica, nasceu o HKSC, tempos depois transformado em HSBC (Hong Kong and Shangai Bank Corporation), conhecido de todos nós actualmente. Sua história é o exemplo mais bem acabado de como o desenvolvimento do capitalismo financeiro e a cumplicidade com a alta criminalidade andam de mãos dadas.
 A partir dos anos 70 do século passado, por meio da compra de corporações nos Estados Unidos e no Reino Unido, o HSBC transformou-se num dos maiores conglomerados financeiros do mundo. Tem atualmente 270 mil funcionários e actua em mais de 80 países. A sua expansão deu-se, em larga medida, por meio da aquisição de bancos conhecidos por envolvimento em negócios ilícitos, entre eles o Republic New York Corporation, propriedade do banqueiro brasileiro Edmond Safra, morto em circunstâncias misteriosas no seu apartamento monegasco. Um banco cuja carteira de clientes era composta, entre outros, por traficantes de diamantes e suspeitos de negócios com a máfia russa, para citar alguns dos nobres correntistas. Segundo analistas de Wall Street, a instituição financeira de Nova York teria sido vendida por um preço 40% inferior ao seu valor real.
 Em Julho de 2013 é o próprio HSBC que assume a culpa por lavagem de dinheiro do tráfico de drogas mexicano e colombiano, além de organizações ligadas ao terrorismo. Tudo ocorreu entre 2003 e 2010. A punição? Multa irrisória de 1,9 milhão de dólares. Que fantástico! Entre 2006 e 2010, o director mundial do banco era o pastor anglicano (sim, o pastor, lembram-se da Guerra do Ópio?) Stephen Green, que, desde 2010, tem um novo cargo, o de ministro do gabinete conservador de David Cameron, cujo governo é conhecido por não ser muito ágil na caça à evasão fiscal dos ricos que escondem o “seu” dinheiro. Enquanto isso, os ingleses vêem o seu serviço social decompor-se e as suas universidades serem privatizadas de facto. O que permite perguntas interessantes sobre quem realmente nos governa e quais são os seus reais interesses.
Tendo em conta a recente divulgação de mais de 200 nomes de portugueses, titulares de contas no HSBC, melhor se compreende porque é que, também os sucessivos governos de PS, PSD e CDS não são muito eficientes no que concerne a fuga de capitais e evasão fiscal, demonstrando uma recorrente preferência por praticar o roubo dos salários e do trabalho, privatizar, a preços de saldo, tudo o que é activo público estratégico, promovendo o desemprego, a miséria e a pobreza e denegando o acesso do povo e dos seus filhos a uma escola pública de qualidade, a um bom sistema de saúde e a uma rede de benefícios sociais que proporcionem dignidade, bem estar e riqueza ao país e a quem trabalha.

Acabar com esta corte de especuladores e rentistas, que estão seguros de que haverá sempre um HSBC que virá em seu auxílio, com toda a sua expertise, para assessorá-los na evasão de divisas e na fraude fiscal, passa por levar a cabo um programa democrático e patriótico que assente no princípio do não pagamento de dívidas que resultam deste carrossel especulativo e corrupto, passa por fazer com que Portugal saia do euro – uma moeda que funciona como armadilha mortal para a sua soberania e independência nacional – e por que a banca seja colocada sob o controlo dos seus trabalhadores e ao serviço do povo português.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Grécia:

Compromisso ou Ruptura?!

Num artigo publicado este domingo, 22 de Fevereiro, no site do Movimento Cidadãos Activos, Manolis Glezos, uma figura de proa do SYRIZA, partido a quem o povo grego deu o voto nas recentes eleições legislativas para levar a cabo um programa contra a austeridade imposta pela tróica germano-imperialista, afirma o seguinte:

Mudar o nome de tróica para “instituições”, do memorando para “acordo e dos credores para “parceiros”, em nada altera a situação anterior (protagonizada pelo governo de Samaras e da Nova Democracia)
O que não se pode também mudar, bem entendido, é o sentido do voto do povo Grego, manifestado nas eleições de 25 de Janeiro de 2015.
Ele votou pelo que o SYRIZA prometeu; abolir o regime de austeridade que não é apenas uma estratégia da oligarquia alemã, mas também a de outros países credores da União Europeia e da oligarquia grega.
Nós exigimos a abolição dos memorandos e da tróica, nós exigimos a abolição de todas as leis de austeridade.
No dia seguinte às eleições, apenas com uma lei, nós aboliríamos a tróica e os seus efeitos.
Passado um mês desta promessa, ela não se transformou em actos. É uma pena, muita pena.
Pela minha parte, peço ao Povo Grego que me perdoe por ter contribuído para esta ilusão.
Mas, antes que o mal progrida.
Antes que seja tarde para reagirmos.
Antes de tudo o mais, através da realização de assembleias extraordinárias, em todas as organizações, em todos os níveis, os membros e os amigos do SYRYZA devem decidir se aceitam esta situação.
Alguns defendem que, para obter um acordo, é preciso saber ceder. Em primeiro lugar, entre o opressor e o oprimido não se coloca a questão de haver um compromisso, tal como isso é impossível entre subjugado e ocupante. A única solução é a liberdade.
Mas, mesmo que aceitássemos essa aberração, o que os governos anteriores fizeram traduziu-se em desemprego, austeridade, pobreza, suicídios, apoiando os memorandos muito para além de todo o limite de compromisso.
Manolis Glezos, Bruxelas, le 22 de Fevereiro de 2015

Manolis Glezos, de 92 anos de idade foi eleito deputado europeu, integrado nas listas do SYRIZA e é uma figura de proa da resistência anti-nazi e contra a ditadura dos coronéis na Grécia.

  


sábado, 21 de fevereiro de 2015

Provocação miserável à candidatura do PCTP/MRPP às eleições legislativas na Madeira!

No passado dia 16 de Fevereiro, pelas 11 horas, depois de ter vencido a linha revisionista que se opôs a esse objectivo,  Alexandre Caldeira, primeiro candidato do PCTP/MRPP às eleições para a Assembleia Legislativa da Madeira, e cerca de duas dezenas de candidatos e outros apoiantes da candidatura, acompanhados do Secretário-Geral Luis Franco e de Garcia Pereira e Carlos Paisana do Comité Central e  Luís Roquete da redacção do jornal Luta Popular online, estiveram no Palácio de Justiça no Funchal a entregar a lista de candidatos do Partido às Eleições Legislativas da Madeira.

Hoje, dia 21 de Fevereiro, foi sem surpresa que verifiquei que, não tendo conseguido vencer a determinação do partido em se apresentar a estas eleições com uma lista representativa dos interesses dos pobres, de gente humilde, séria, de gente que é o povo e que não são aquelas listas dos doutores, dos senhores, a burguesia, quer a do continente, quer a sua aliada flamista, em desespero, deita mão de outros recursos para atacar o PCTP/MRPP e quem este representa e a quem pretende dar voz: os trabalhadores e o povo da Madeira e do Porto Santo.

O ataque começa com uma notícia COMPLETAMENTE FALSA surgida na edição de hoje, dia 21 de Fevereiro, no pasquim Diário de Notícias da Madeira, onde se afirma que a candidatura do PCTP/MRPP estaria em grave risco de se perder, por ter inúmeras e graves irregularidades e lhe faltarem inúmeros documentos.

TAL É ABSOLUTAMENTE FALSO! Tal notícia escamoteia o facto de o PCTP/MRPP ter, inclusivé, apresentado 15 candidatos a mais, estando tudo certo com a documentação apresentada. Esta notícia é um ataque miserável ao serviço dos interesses que temos vindo a denunciar!

Esta provocação, que certamente não ficará sem resposta, para além de demonstrar o desespero da burguesia perante a justeza da apresentação da candidatura do partido e da linha política programática que defende, demonstra a necessidade de OUSAR LUTAR para OUSAR VENCER!


O POVO VENCERÁ!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O Euro e a estratégia de domínio do imperialismo germânico sobre a Europa no contexto da globalização.

A 5 de Outubro de 2013 propus à leitura o texto que abaixo reproduzo. A chantagem, pressão e ameaça que o imperialismo germânico neste momento exerce sobre o governo grego, democraticamente eleito pelo povo que sufragou o programa do Syriza, demonstra plenamente a apreciação que então se fazia e a saída que se continua a defender para assegurar a independência, a soberania, a liberdade, a democracia e o progresso para os países e povos da Europa.


Não é a Alemanha que é indispensável à sobrevivência do euro. É o euro que é indispensável à estratégia de dominação do imperialismo germânico sobre a Europa. E, para a Alemanha, há-de chegar o momento em que, depois de se ter utilizado desse instrumento para dominar os povos e nações da Europa – assim tenha sucesso com esta sua estratégia – pura e simplesmente o dispensará.


Lastro ou bote de salvação para os povos da Europa?
Esta realidade tem de ser contextualizada no panorama geopolítico internacional, em que a superpotência imperialista americana pretende recuperar a sua hegemonia a nível mundial e a Alemanha se quer posicionar de forma a, por um lado, demonstrar ser um dos mais fortes aliados com que os EUA podem contar e, por outro, não vir a perder influência, nem ver comprometidos os seus interesses face a um cada vez mais agressivo imperialismo chinês que já se comporta como nova superpotência e que já demonstrou a sua capacidade em se aliar com os inimigos de ontem, como é o caso da Rússia, nesta contenda pelo domínio mundial.

As desesperadas tentativas de chantagem exercidas pela chefe do IV Reich, a Srª Angela Merkel, que teve o apoio canino do seu valet de chambre, o salta-pocinhas Sarkozy, antigo presidente francês e, pelos vistos, beneficia dos silêncios ensurdecedores do socialista François Hollande, sobre os restantes países da chamada zona euro, decorrem do facto de a Alemanha saber, de há muito, que o projecto europeu só servirá efectivamente os seus interesses de dominação sobre os restantes países europeus, se conseguir impor a moeda única. Paulatinamente, foi convencendo vários países a aderir a esta ideia, prometendo-lhes o paraíso do leite e do mel em abundância, conseguindo que as burguesias vendidas de 17 dos 27 países que integram a União Europeia ao euro aderissem.
Mais histórias para crianças? Não, obrigado!

E de cimeira em cimeira – a dois ou com os seus serventuários – foi acrescentando novos patamares para desferir novos golpes, encarregando a sua tróica germano-imperialista de ir impondo memorandos e programas que visam, tão só, dominar e espezinhar os povos e países da Europa, arrogando-se tomar medidas absolutamente fascistas e antidemocráticas como depor governos e colocar em sua substituição os seus homens de mão.

Mas, de facto, o euro foi desenhado, desde a sua génese, como o novo marco ou o marco travestido de euro! Como a única entidade com capacidade e autoridade para emitir esta moeda e controlar os seus fluxos é o BCE, um banco privado onde os principais accionistas são bancos e grandes grupos financeiros germânicos, melhor se entenderá a teia que a Alemanha teceu para vir a manietar e dominar os restantes países europeus.

Muito antes de sugerir o euro, o imperialismo germânico foi impondo a destruição da capacidade produtiva e do tecido produtivo, sobretudo industrial, da esmagadora maioria dos países europeus, sobretudo aqueles que são considerados os elos fracos da cadeia capitalista, salvaguardando essa capacidade para a Alemanha, onde esta não só foi mantida como cresceu e se fortaleceu. Com tal manobra a Alemanha consegue ter superavits importantes, dominar em termos de capacidade industrial e financeira todos os outros países que, entretanto, aderiram ao euro, por virtude de terem passado a depender daquilo que importam para poder fazer funcionar as suas economias, levando-os a graus de endividamento nunca antes atingidos.

Os factores combinados das crises orçamentais com a crise do sub-prime americano, criaram as condições ideais para que uma entidade como o BCE, cujo capital social é inteiramente privado, e em que os grupos financeiros e bancários alemães, como já havíamos referido, predominam, mercê da taxa de participação de cada país em função do seu PIB, se transformasse no principal instrumento da dominação germano-imperialista. Desde logo porque foi imposto que os estados não poderiam recorrer directamente a crédito nessa instituição, a um juro de 1%, mas tão só os bancos que, depois, o emprestariam aos estados a taxas de juro de 5 e 6%!

O euro asfixia e mata a soberania
As dívidas soberanas passaram a ser, por um lado, um excelente negócio, pois proporcionam taxas de juro faraónicas e, por outro, um factor poderosíssimo de chantagem sobre governos e governantes vende-pátria que ficam satisfeitos com as migalhas que a chefe do IV Reich lhes reserva a troco de submeterem os seus povos à miséria, à fome, ao desemprego e precariedade e os seus países ao esbulho dos seus activos e empresas estratégicas por parte do imperialismo germânico. Isto é, traidores que se vendem por trinta moedas a troco de submeter os povos e países europeus à condição de colónia ou protectorado da poderosa Alemanha!

bascularização da economia mundial, que se caracteriza, por um lado, pela estranha inexistência de crises das dívidas soberanas em países do chamado 3º Mundo – como é o exemplo do que se passa em quase todo o continente africano – e, por outro, num processo de acumulação primitiva capitalista nos países emergentescomo a China, a Índia e o Brasil, entre outros, que passam neste momento por um processo histórico muito idêntico ao que se vivia na Manchester do sec.XIX, explicam o resto do quadro em que, a nível global, hoje nos encontramos e de como ele influencia e condiciona a situação política e económica da velha Europa e da burguesia europeia.

Com este processo de crescimento, fundamentalmente alimentado pela migração massiva de agricultores e artesãos arruinados para os grandes centros urbanos e encafuados em grandes unidades fabris, aceitando condições desumanas de vida, ritmos de trabalho intensos e salários miseráveis, começa-se a compreender como é que a bascularização da economia influencia a estratégia da Alemanha e de outros países do dito 1º mundo.

Países com uma indústria avançada, com alto desenvolvimento tecnológico e que apostam fortemente na investigação cientifica e que, tendo sagazmente levado as outras nações do continente europeu à desindustrialização e à liquidação da sua agricultura e pescas, têm por objectivo, agora, remeter esses países para a terceirização da economia ou para fornecedores de mão-de-obra-barata, ao nível dos praticados na Malásia ou no Bangladesh, para se tornar competitivos, isto é, alinhando por baixo as políticas assistenciais e salariais até agora praticadas e que tinham sido fruto de intensas e duras lutas de operários, camponeses e outros trabalhadores, na Europa dos séculos XIX e XX.

Imperialismo germânico substitui divisões Panzer por euro
Se é certo que a forma como hoje se organiza o trabalho nos países mais desenvolvidos não é a mesma dos séculos XIX e XX, até porque existem cada vez menos grandes unidades industriais – sobretudo naqueles países que aceitaram liquidar o seu tecido produtivo, como foi o caso de Portugal -, não menos certo é que a classe operária aliada a uma intelligentsia cada vez mais lançada para a precarização e à prática de baixos salários, ao campesinato pobre e arruinado e a pequenos e médios comerciantes e industriais ameaçados pela falência, são a força motriz que tem, cada vez mais, condições para derrubar este governo e impor um governo que leve a cabo um programa democrático patriótico que vá de encontro aos seus interesses.

E, se aparentemente, parece que as condições para a revolução quer no nosso país, quer a nível mundial são cada vez mais diminutas, o que se passa é exactamente o contrário. No nosso país, bem como noutros países europeus, as medidas terroristas e fascistas que têm sido impostas pela tróica germano-imperialista, através dos governos serventuários dos seus interesses, encontram cada vez maior capacidade de organização, mobilização e combatividade por parte dos trabalhadores e dos povos desses países.

Nos chamados países emergentes, as condições em que a classe operária é alocada à produção, em grandes unidades fabris, facilita a sua organização revolucionária e a elevação da sua consciência de classe. O processo histórico é imparável, a contradição antagónica entre burguesia e proletariado, entre natureza social do trabalho e apropriação privada da riqueza gerada por ele, será resolvida a favor de quem trabalha. E o ciclo das revoluções socialistas rumo à construção da sociedade comunista do futuro será não só uma realidade, como uma inevitabilidade histórica.






segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A vitória do povo grego representará a vitória dos povos da Europa!

Sucedem-se por todo o mundo em geral, e particularmente em países europeus, as manifestações de apoio dos povos desses países ao povo grego e contra a chantagem e pressão que o recente eleito governo daquele país está a ser sujeito por parte da União Europeia e do imperialismo germânico que a tutela e comanda. Apesar de alguma fragilidade ideológica, o governo grego, liderado pelo Syriza, está mandatado pelo povo que o elegeu a levar a cabo uma política contra a austeridade e os ditames da tróica germano-imperialista.

Desenganem-se aqueles que acreditam que o mal está na oposição do actual governo helénico às medidas políticas que configuram um autêntico genocídio fiscal, económico e financeiro e comprometem a dignidade e qualidade de vida do povo grego,  que a Comissão Europeia, a tróica e o imperialismo germânico tinham logrado impôr ao anterior governo de Samaras, um pau mandado da dimensão e natureza do traidor Passos Coelho, do seu saltapocinhas Portas e do tutor de ambos, Cavaco!

É que, com o grau de consciência e mobilização que o povo grego já demonstrou, e continua a demonstrar, com dezenas de milhar de elementos do povo, em permanência, a marcarem presença na Praça Sintagma, em Atenas, a apoiar o governo cujo programa elegeram, qualquer cedência, recuo ou traição redundará, certamente, num exponenciar das contradições entre aqueles que defendem ser subjugados aos interesses do imperialismo germânico e aqueles que optaram por ser livres, viverem em democracia e verem respeitados o seu direito à soberania, à independência nacional e ao progresso.

Já num artigo anterior referia que, baseado no Artigo 7 da Directriz da Área Económica Europeia, que determina não haver qualquer obrigação por parte de um estado e suas autoridades em assegurarem a compensação se um esquema de garantia de depósitos é incapaz de cumprir as suas obrigações na eventualidade de uma crise sistémica, o Tribunal da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) deliberou, há algum tempo, ser improcedente a queixa apresentada pelos governos da Grã-Bretanha e da Holanda contra a Islândia por este país ter, alegadamente, violado leis internacionais ao não atender à reclamação de cerca de 340 mil depositantes britânicos e holandeses do Icesave, uma delegação online do banco privado islandês Landsbanki, decretado falido em 2008.
Recorde-se que, aquando da chamada crise do sub-prime, dezenas de bancos, a nível mundial, foram à falência (alguns dos quais com uma dimensão considerada imune a esse destino), originando no seio da própria burguesia divisões quanto ao caminho a seguir face ao colapso do sistema financeiro e bancário capitalista a nível mundial.

De um lado, os fervorosos adeptos da escola de Chicago (os Chicago boys) e do compromisso de Washington (sendo o FMI a sua principal plataforma para impôr o seu programa ideológico e económico), que advogam que o sistema bancário e financeiro deve ser salvo a todo o custo (na versão do serventuário Coelho, custe o que custar), pois ele é o sustentáculo de toda a economia capitalista e único capaz de, através do negócio das dívidas soberanas, assegurar a continuidade e crescimento da acumulação capitalista. Os adeptos desta facção defendem, ainda, que o custo da salvação do sistema bancário e financeiro, segundo o princípio de dinheiros públicos subsidiarem vícios privados, deve ser imputado aos trabalhadores e aos povos, particularmente daqueles que foram bafejados pela intervenção do FMI ou, no caso europeu, da tróica germano-imperialista.

Do outro lado, uma corrente minoritária, representando os interesses de uma camada das burguesias nacionais, democráticas e patrióticas, que se opõem, como aconteceu na Islândia, e tinha sucedido e está a suceder noutros países – europeus, asiáticos e da América Latina -, a aplicar uma receita que implica uma transferência massiva de recursos e empresas públicas para o capital financeiro e bancário, sob a justificação de que, tendo os povos estado a viver acima das suas possibilidades teriam de ser sacrificados no altar das dívidas soberanas, à custa de um inaudito empobrecimento, à custa da pilhagem generalizada e de se tornarem protectorados ou colónias, mormente da potência imperialista alemã e da sua fuhrer Angela Merkel, à custa da depreciação dramática do seu acesso à saúde, à educação e às chamadas prestações sociais.

Apesar desta corrente, nomeadamente na Islândia, ter conseguido congregar o apoio dos trabalhadores e do povo em torno de um programa que lutava pelo não pagamento de uma dívida que não fora o povo que a contraíra, nem dela havia beneficiado, a consistência e coerência na luta por esse princípio sofreram alguns revezes, isto apesar de o povo se ter manifestado claramente, através de dois referendos,que não estava disposto a qualquer acordo de pagamento dessa dívida. É que, ainda assim, cerca de 3.421 milhões de euros foram reembolsados aos governos britânico e holandês, consequência do accionar de garantias de depósitos que existiam, através do banco Landsbanki.

Se é certo que o resultado das eleições gregas são uma expressão da derrota política da alta finança e do imperialismo germânico, mais evidente ainda é que ele se traduziu numa retumbante vitória do povo grego e de outros povo oprimidos da Europa.

Ora, apesar da aparente unanimidade em torno desta vitória – cuja excepção vem de traidores como Passos, Portas e Cavaco –, estes resultados anunciam a estreia, no teatro da guerra de classes em curso, de novas tácticas de manipulação e chantagem por parte do imperialismo germânico e seus agentes, entre os quais os opinadores, os comentadores e os especialistas do costume a quem são generosamente proporcionados profusos espaços de antena e nos jornais para vomitarem as suas opiniões e pareceres técnicos, claro está que contra toda e qualquer veleidade daqueles que se prestam a não se conformar ou aceitar essa chantagem e pressão!

Na Grécia, como em Portugal ou noutros países, sobretudo europeus, vencerá quem conseguir conquistar a chamada classe média. Uma classe atemorizada com a iminência da sua proletarização ou da sua destruição. Este é um momento decisivo, em que estas classes, ou bem que se aliam aos operários e aos trabalhadores em geral, ou continuam a deixar-se iludir pelos milagres económicos anunciados pela alta finança, pela burguesia e por toda a sorte de lacaios ao serviço da imperial Alemanha e sua chancelerina Merkel.

No nosso país, primeiro através do governo de má memória liderado por Sócrates e pelo PS, e agora pelos PSD/CDS, sob tutela de Cavaco, a receita tem sido a de salvar a banca privada, fazendo os trabalhadores e o povo pagarem os buracos e as fraudes do BES e do BPN, a recapitalização do BCP, do BPI, do BANIF, entre outros bancos privados que se entretiveram a distribuir dividendos, relativos aos fabulosos lucros que ensacaram e continuam a ensacar, entre os seus accionistas, para agora, em vez de terem contemplado um plano de capitalização dessas entidades bancárias privadas, estarem a fazê-lo à custa do sangue, do suor e das lágrimas do povo que se vê obrigado a pagar esses vícios privados e a proporcionar aos grupos financeiros e bancários que estão por detrás desses bancos, lucros fabulosos à custa dos juros faraónicos que cobram.

Se é certo que existem sectores da pequena e da média burguesia não comprometida com as políticas imperialistas e com o grande capital financeiro e bancário que podem e devem ser integrados numa ampla frente contra o FMI, a tróica germano-imperialista e os tiques imperiais da nova fuhrer Angela Merkel, e o governo dos traidores Coelho e Portas que se prestam a ser seus serventuários, não menos certo é que essa luta deve ser encabeçada pelos operários e pelos trabalhadores, únicos garantes de uma luta coerente, empenhada e sem tréguas, luta que tem de levar ao derrube deste governo e de quem o apoia e à constituição de um governo de unidade democrática e patriótica que expulse do nosso país todos aquele que o querem subjugar e dominar, prepare a saída imediata de Portugal do euro e recuse o pagamento da dívida, iniciando um novo ciclo económico, ao serviço do povo e de quem trabalha.


Esta será a melhor forma de o povo português demonstrar a sua solidariedade para com o povo grego e para com todos os povos da Europa que sofrem os efeitos das políticas de domínio e colonização levadas a cabo pelo imperialismo germânico e seus agentes. Esta será a única saída que assegurará que o povo grego vencerá e que, com ele, sairão vencedores todos os povos da Europa e do mundo!



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A propósito de contos para crianças:

É tão inevitável sair do euro como é impagável a dívida soberana!

É cada vez mais óbvio para um cada vez mais alargado número de sectores da classe operária e elementos do povo que o  euro foi desenhado, desde a sua génese, como o novo marco ou o marco travestido de euro!

Como a única entidade com capacidade e autoridade para emitir esta moeda e controlar os seus fluxos é o BCE, um banco privado onde os principais accionistas são bancos e grandes grupos financeiros germânicos, melhor se entenderá a teia que a Alemanha teceu para vir a manietar e dominar os restantes países europeus.

Muito antes de sugerir o euro, o imperialismo germânico foi impondo a destruição da capacidade produtiva e do tecido produtivo, sobretudo industrial, da esmagadora maioria dos países europeus, sobretudo aqueles que são considerados os elos fracos da cadeia capitalista, salvaguardando essa capacidade para a Alemanha, onde esta não só foi mantida como cresceu e se fortaleceu.

A adesão ao euro implica para aqueles países que, como Portugal, a esta moeda decidiram aderir, a perda de autonomia e independência cambial, parte importante para a soberania de um país – seja qual for o regime político e económico - , escamoteando aos respectivos povos que tal implicaria uma real perda de soberania.

Num quadro de desenvolvimento progressivo e superavitário da sua indústria e finança, ou seja, da economia em geral,  à Alemanha não convém que haja inflação, impondo – através do Tratado de Lisboa – que todos os países da zona euro passem a estar sujeitos a um Tratado Orçamental que lhes retire autonomia de decisão para elaborar os seus próprios Orçamentos de Estado que, antes de serem aprovados pelos respectivos parlamentos nacionais – a título de pró-forma – têm de ser chancelados por um directório europeu cada vez mais capturado pelos interesses e objectivos estratégicos do imperialismo alemão.

Registando importantes superavits, a Alemanha consegue dominar em termos de capacidade industrial e financeira todos os outros países que, entretanto, aderiram ao euro, por virtude de terem passado a depender daquilo que importam para poder fazer funcionar as suas economias, levando-os a graus de endividamento nunca antes atingidos.

Os factores combinados das crises orçamentais com a crise do sub-prime americano, criaram as condições ideais para que uma entidade como o BCE, cujo capital social é inteiramente privado, e em que os grupos financeiros e bancários alemães, como já havíamos referido, predominam, mercê da taxa de participação de cada país em função do seu PIB, se transformasse no principal instrumento da dominação germano-imperialista.

Desde logo porque foi imposto que os Estados não poderiam recorrer directamente ao crédito disponibilizado por essa instituição, a um juro quase residual, mas tão só os bancos que, depois, o emprestam aos estados a taxas de juro perfeitamente agiotas! Uma clara medida para salvar uma banca falida, devido às aventuras especulativas em que se envolveu.


As dívidas soberanas passam a ser, por um lado, um excelente negócio, pois proporcionam taxas de juro faraónicas e, por outro, um factor poderosíssimo de chantagem sobre governos e governantes vende-pátria que ficam satisfeitos com as migalhas que a chefe do IV Reich lhes reserva a troco de submeterem os seus povos à miséria, à fome, ao desemprego e precariedade e os seus países ao esbulho dos seus activos e empresas estratégicas por parte do imperialismo germânico. Isto é, traidores que se vendem por trinta moedas a troco de submeter os povos e países europeus à condição de colónia ou protectorado da poderosa Alemanha!

Num contexto em que o euro se tornou o principal instrumento do imperialismo germânico e do capital financeiro para reduzir a condição de Portugal a colónia, destruindo a sua estrutura produtiva e roubando o trabalho, os salários e todos os direitos sociais e laborais ao povo e aos trabalhadores, sair do euro constitui um objectivo imediato fundamental da luta dos operários e demais trabalhadores, bem como de todas as forças democráticas e patrióticas.

Qualquer solução que passe pelo euro e pelo BCE é, pois, para não lhe chamar oportunismo e traição, um autêntico…conto de crianças!




sábado, 7 de fevereiro de 2015

Quando o perdão da dívida se pode tornar um bom negócio para o capital!

Num frenesim a raiar o patético, a comunicação social dá conta de um crescendo de opiniões favoráveis, quer à renegociação, quer ao perdão da dívida ou, mesmo, à combinação das duas, chegando a anunciar que mais de 300 economistas de todo o mundo – incluindo o prémio Nobel da economia Joseph Stiglitz – apelam a que se respeite a decisão do povo grego e se chegue a um acordo entre a União Europeia e o governo legítimo da Grécia, sufragado pelo seu povo, que escolheu recentemente o programa do Syriza para governar o país.

Frenesim que culmina uma campanha alegre iniciada por Hollande – e aplaudida pelos basbaques dirigentes socialistas em Portugal – quando este prometeu, durante as eleições presidenciais francesas, um modelo de crescimento em alternativa à austeridade imposta pela chancelerina Merkel, para logo após a sua eleição ir prestar vassalagem à nova fuher alemã, um frenesim que até mereceu a concordância de um consultor residente do FMI no protectorado de Portugal e do insuspeito Instituto Económico Alemão, todos eles a defender que o alívio da dívida é essencial para o crescimento económico.

Ora, é aqui que a porca torce, precisamente, o rabo. De que modelo de crescimento económico estamos a falar? Não estando em causa, em nenhuma dessas opiniões, que deva ocorrer a saída de Portugal – ou de outros países com o mesmo tipo de problemas que o nosso enfrenta – do euro, o que se nos oferece dizer é que o que estes fazedores de opinião advogam é que venha mais do mesmo por mais tempo.

Senão, vejamos! Destruído que foi o tecido produtivo português que levou ao desmantelamento  da indústria, da agricultura, das pescas, do sector mineiro e está a impedir Portugal de tirar partido das vantagens de partida da sua posição geo-estratégica de entrada e saída do essencial das mercadorias de e para a Europa, temos a combinação articulada de uma moeda forte – o euro, que nada mais é do que o marco travestido – com uma economia fraca, melhor dito, propositada e antecipadamente fragilizada.

Frágil ao ponto de ter agravado o seu déficite comercial, a sua balança de pagamentos e a dívida que decorre desses desequilíbrios. Frágil porque vende numa moeda forte, o que torna pouco competitiva a sua economia e os produtos que pretende vender para o exterior e faz com que se torne mais barato comprar no exterior, a países com moeda e soberania cambial muito mais favoráveis em relação ao euro que, por virtude dos interesses económicos específicos dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais alemães é sistematicamente impedido de ser  sujeito a qualquer depreciação ou desvalorização.

É, pois, a este modelo de crescimento económico que estes opinadores de pacotilha e outras eminências pardas se referem. Ou seja, esgotado o modelo austeritário que levou a induzir a desvalorização do euro, não através de uma medida cambial, mas do roubo dos salários e do trabalho e do corte nas despesas e gorduras do estado – leia-se, toda a sorte de subsídios,  benefícios sociais , entre os quais se incluem o acesso à saúde, à educação, a habitação e os transportes- e verificando-se que a contestação social decorrente da aplicação deste modelo está a colocar em causa, não só o próprio modelo, mas o sistema político que o aplica, levanta-se este coro afinado de vozes pela reestruturação e pelo perdão da dívida.

Estes opinadores escamoteiam criminosamente que meia dúzia de países, sobretudo da chamada zona euro, com a Alemanha à cabeça, têm beneficiado da crise e da dívida, como o demonstra o facto  - assinalado pelas próprias instituições europeias -  de o PNB (Produto Nacional Bruto) dos mesmos ser bastante superior ao PIB (Produto Interno Bruto) que geram, ao contrário do que se passa nos países intervencionados pela tróica germano-imperialista, onde o PNB é manifestamente inferior ao seu PIB, em virtude de lhes estar a ser imposto o pagamento de juros agiotas sobre uma dívida que os povos, não só não contraíram, como dela não retiraram qualquer benefício!

Mas, sempre e sempre, tendo em mente que o negócio será gerar mais dívida, apenas que, agora, desejavelmente de forma…mais sustentável! O que estas propostas e estes modelos tentam escamotear – por detrás da promessa de crescimento económico – é que, a manter-se o euro, a manter-se o modelo de divisão de trabalho imposta pela potência imperial alemã a todos os países da chamada Europa comunitária, a manter-se um tratado orçamental que retira a soberania orçamental, fiscal, cambial a países como Portugal, o perdão ou reestruturação das dívidas funcionam como os placebos paliativos que se administram a um paciente que padeça de um cancro, isto é, podem até aliviar alguns dos efeitos secundários da doença, mas nunca eliminar as suas causas.


Pior, adiar a solução, que passa pelo derrube deste governo de traição nacional e pela constituição de um Governo de Unidade Democrática e Patriótica que imponha a saída de Portugal do euro e o não pagamento de uma dívida ilegítima,ilegal e odiosa, só agravará o quadro de desemprego, miséria e perda de liberdade e democracia a que os trabalhadores e o povo português estão a ser sujeitos.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O Pirata Ricardo!

Mais vale morrer tentando ser livre do que viver para sempre escravo!

Registava como ninguém o evoluir da história contemporânea, a luta pelo derrube deste governo fascista e terrorista.
Poeta maldito para o poder corrupto, mas pirata da nossa aventura colectiva de ousar lutar para ousar vencer!
Foi vencido, não pelo desânimo ou quebra da vontade de lutar, mas por um traiçoeiro inimigo que lhe roubou, primeiro a saúde e, depois, a vida!
E nós, os que almejam por uma sociedade livre de exploradores e explorados, perdemos um de nós! Único!
Saibamos honrar a sua memória, não       desfalecendo a luta que também era sua, não deixando cair o estandarte!

(Foto de Francisco Salgueiro)