sexta-feira, 29 de julho de 2016

Obrigadinho?!!!

Após meses de chantagem, pressão e humilhação sobre o país e o povo português, a decisão da Comissão Europeia em cancelar qualquer sanção a Portugal por deficit excessivo, teve o condão de unir todos os portugueses honrados – os que se arrogam integrar a maioria de esquerda parlamentar e a direita e a extrema direita – numa manifestação de agradecimento à posição enfim tomada pelo directório colonial estacionado em Bruxelas.


No frenesim da intriga que se gerou, até uma obscura e sinistra figura como um tal Moedas que, se hoje é comissário europeu, deve-o aos serviços que, enquanto membro do governo de traição nacional Coelho/Portas, prestou à tróica germano-imperialista, vem tentar retirar créditos da influência decisiva que terá tido sobre os restantes comissários, para que fosse esta a decisão a tomar. Caso para dizer que já o pinto se quer dar ares de falcão! 

Até o BE, que não perde uma oportunidade de se colocar em bicos dos pés para garantir que fica na fotografia e que tem uma influência determinante na tomada de decisões do governo de direita de António Costa – no que concorre com Jerónimo de Sousa e o PCP – veio congratular-se com a decisão e, ao mais puro estilo do rufia poltrão que afirma agarrem-me senão vou-me a ele, veio reafirmar que, caso houvesse lugar a sanções, o bloco das causas fracturantes avançaria para a exigência de um referendo sobre a permanência de Portugal na União Europeia.

Estas muletas oportunistas, comportando-se de forma miserável e traindo os reais interesses da classe operária e do povo português, usam o referendo como moeda de troca e não como uma legítima exigência do povo português , que deveria ter sido consultado antes de Portugal entrar na CEE, subscrever os vários tratados que lhe roubaram a soberania e o amarraram ao euro, e não confrontados com um facto consumado pela política do bloco central de PS e PSD, na maior parte das ocasiões com o beneplácito e expresso apoio do CDS.

Não! Nada disso! Com o que esta ampla frente de portugueses honrados – que envolve PS, PSD, PCP, BE , os Verdes, PAN e CDS e, até, o presidente comentador Marcelo – se vem congratular é com a inteligência da atitude responsável revelada pelos comissários europeus e pela Comissão Europeia ao se decidirem pelo cancelamento das sanções por deficit excessivo a que Portugal, alegadamente, não teria sabido fazer frente. Ou seja, para o que toda esta cambada de traidores aos interesses nacionais e à soberania de Portugal está a convocar a classe operária e o povo português é para um muito obrigado aos carrascos coloniais que lhes ditam as ordens.

Obrigadinho?!!! Então, depois de terem imposto a destruição do nosso tecido produtivo, de terem obrigado o país a abandonar a agricultura e as pescas, encerrado minas e vendido ao desbarato os principais activos nacionais, ao preço da uva mijona, acompanhado de um dramático corolário de despedimentos, depois de terem obrigado o povo português a pagar uma dívida que não contraiu e da qual não obteve qualquer benefício, ainda devemos agradecer?!!!

Então, depois de terem roubado de forma sistemática os salários e o trabalho, aumentado a jornada de trabalho e os dias de trabalho e diminuído os salários, depois de terem aceite a chantagem e as imposições da tróica germano-imperialista traduzidas em cortes exponenciais na saúde, na educação, na investigação, na cultura, nos apoios sociais mais diversos, ainda temos de agradecer a toda esta corja?!!!

Bem estão os trabalhadores da saúde – aos quais se juntaram hoje os enfermeiros – quando não vão atrás de histórias da carochinha e avançam para uma greve destinada a repor a semana das 35 horas de trabalho, a romper com a ameaça de congelamento de salários e a inverter o ciclo da precariedade no sector. Se a direcção da luta fosse mais consequente, teria percebido a importância estratégica de promover a unidade da classe operária e todos os sectores do trabalho em torno desta exigência da semana das 35 horas, quer para o sector público, quer para o sector privado. Este é o único tipo de agradecimento que a burguesia imperialista e a Comissão Europeia que os seus interesses representam poderá esperar dos trabalhadores.


A tentativa  da maioria de esquerda – que nem é de esquerda, nem é maioria – de amarrar o povo português a um síndrome de Estocolmo, em que a vítima desculpabiliza os actos praticados pelos algozes, até pode parecer estar a obter algum sucesso. Mas, tal como todas as acções que se opõem ao porvir revolucionário da classe operária, que é o de lutar por uma sociedade livre da exploração capitalista, esta tentativa pífia e oportunista está, também ela, destinada ao caixote do lixo da história.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Burguesia pró-imperialista e suas muletas pretendem isolar e aniquilar Arnaldo Matos!

O meu camarada Arnaldo Matos assinou recentemente três artigos que repõem a perspectiva marxista-leninista quanto à análise e caracterização do imperialismo e de como a mundialização da guerra que este tem estado a impôr leva a uma cada vez maior resistência - http://www.lutapopularonline.org/index.php/editorial/1996-resistencia-nao-e-terrorismo - à ocupação e agressão imperialistas em todo o mundo.
Com a coragem e inteligência que sempre lhe foi reconhecida, denuncia de forma clara o imperialismo e desmonta os argumentos de oportunistas de todos os matizes que, quer a nível externo – caso de uns auto-intitulados marxistas-leninistas maoístas da França e da Bélgica –, quer a nível interno – em que se destacam os elementos da corrente liquidacionista encabeçada pela dupla Conceição/Garcia Pereira, até ao BE e PCP, passando pelos trotsquistas do MAS -,  classificam a resistência ao imperialismo como terrorismo http://www.lutapopularonline.org/index.php/editorial/1995-nice-ataque-com-camiao

Nestes dois artigos, o meu camarada Arnaldo Matos conclui, por um lado, que a acção do governo português, ao prestar-se a enviar mercenários para vários dos cenários de guerra impostos pelos imperialistas, tropas mercenárias portuguesas, potencia fazer do nosso povo e do nosso país um alvo dessa resistência, tal como sucedeu em Nova Iorque, Paris, Madrid ou Nice.

Ao povo português cabe denunciar e opor-se a essa possibilidade! Aos marxistas-leninistas, compete organizar essa luta e preparar as condições para opor a Guerra do Povo à Guerra Imperialista, como preconizava  Mao.

Se nestes dois artigos o meu camarada Arnaldo Matos evidencia os factos objectivos que levam a caracterizar a situação em França como o de uma guerra cívil larvar, já no texto http://www.lutapopularonline.org/index.php/internacional/1997-o-proletariado-e-o-terrorismo-de-estado-americano, demonstra de forma magistral o terrorismo de estado praticado pelo governo dos EUA e de como “...não são os negros que são visados pelos assassínios policiais, mas os resistentes, os proletários em cólera. É a classe operária que é a visada pelo terrorismo de Estado do imperialismo ianque, e mais ninguém…”.

Ao denunciar de forma clara e sem rodeios que são os imperialistas que atacam, invadem, pilham e massacram os povos e que estes, ripostam, cada vez mais, no covil onde estes se escondem, isto é, nos países que promovem a agressão imperialista. Ao evidenciar que só se pode classificar de terrorismo de estado a agressão e eliminação física de operários como estão a ser praticados numa das maiores potências imperialistas, os EUA – e que estas agressões e assassinatos nada tem a ver com questões de racismo -, claro está que a burguesia e as suas muletas ditas de esquerda elegem o meu camarada Arnaldo Matos como seu inimigo principal e ensejam manobras para o isolar e para, eventualmente, justificar a sua prisão ou mesmo eliminação física.

Nós, marxistas-leninistas não confundimos efeitos por causas. Nós, marxistas-leninistas, embuidos da premissa do internacionalismo proletário e da consigna “Proletários de Todos os Países, Povos e Nações Oprimidas do Mundo, Uni-vos!” compreendemos as razões pelas quais se organiza a resistência dos povos que são vítimas do massacre, pilhagem, invasão e humilhação, levados a cabo pelas diversas potências imperialistas, que choram os seus mortos de forma profusa, ao mesmo tempo que – impondo critérios jornalísticos manipuladores- escondem as centenas de milhar de assassinatos produzidos pelas suas tropas mercenárias e pelas suas bombas no Afeganistão, no Iraque, na Síria, na Líbia, no Mali, etc.

O caminho para a classe operária e para os trabalhadores portugueses não pode ser o de apoiar as suas burguesias contra aquilo que elas classificam de terrorismo sempre que encontram resistência dos povos – como sucedeu no Vietname, nas ex-colónias portuguesas, etc.

O caminho para a classe operária e para o povo português, para os democratas e patriotas, é, desde logo, denunciar a campanha de cerco e aniquilamento que está a ser gizada pela burguesia contra o meu camarada Arnaldo Matos, ao mesmo tempo que se organiza e prepara para opor, também em Portugal, a Guerra do Povo à Guerra Imperialista.


sábado, 9 de julho de 2016

Marcelo, Barroso & Sachs!

São só afectos!!!


Um afecto financeiro
Muito se usa e abusa, nos tempos que correm, da expressão política de afectos. Nós, marxistas-leninistas, sabemos ao que vêm estas teses. Não são novas. São as mesmas que anunciaram o fim das ideologias, que desvalorizam a luta de classes que escamoteiam o facto de não existir um capitalismo selvagem, por oposição a um capitalismo de cariz humanitário!

Em Portugal, e nos tempos mais recentes, o actual presidente da república, ciente da impopularidade extrema a que chegou o palermóide de Boliqueime, inaugurou este ciclo da política dos afectos, um discurso que leva ao limite da náusea.

Afectos e remendos
Mas, a que propósito vem esta introdução?!  À manifestação do grande afecto que a Goldman & Sachs revelou no final desta semana em relação a um patife que dá pelo nome de Durão Barroso. Como amor com amor se paga – ou como agora soi dizer-se, afectos com afectos se pagam -, a maior instituição financeira do mundo premeia com um lugar de presidente não executivo o seu fiel servidor.

Pudera! Os 55 mil milhões de euros que, alegadamente, esta instituição financeira hoje vale, deve-o, em primeiro lugar,  ao facto de Durão Barroso, como chefe do governo português à época, ter  apoiado a política do imperialismo americano de invasão do Iraque  – o que, já de si,  constituiu um prémio a esta traição aos interesses soberanos de Portugal.

Um afecto político
Mas, os prestimosos serviços não se ficaram por aqui! Como presidente da Comissão Europeia – que foi, já de si, um prémio àquela actuação -, favoreceu a implementação de um programa ideológico que ainda hoje visa, através do que se convencionou designar por austeridade, o roubo dos salários, do trabalho, da dignidade, da soberania e independência nacional de vários países.

São estes os afectos que se trocam entre patrões e servidores destes. Percebe-se, assim, melhor o alcance político do afecto que Marcelo diz ter por Barroso, quando se congratula por este ter, com esta nomeação, chegado ao topo de uma carreira empresarial de sucesso!

O que este episódio vem confirmar é a justeza de um dos muitos e preciosos ensinamentos de Marx. O de que, a uma determinada infraestrutura económica corresponde, sempre, uma superestrutura política e ideológica que a serve e amplifica.


terça-feira, 5 de julho de 2016

Carvalho Jesus:

Contra um julgamento e uma sentença que são uma farsa!

No próximo dia 13, pelas 09h30, será lido o acórdão da sentença que condenará o democrata Carvalho Jesus pelo "crime" de "perturbação de órgão constitucional".

Um "crime" cometido no mesmo dia em que o governo de traição nacional Coelho/Portas - em boa hora corrido pelo povo português - desferia mais um dos seus ataques anti-constitucionais, fazendo aprovar uma lei que impunha cortes aos pensionistas e reformados.


Não consta que os juízes que agora condenam Carvalho Jesus, um cidadão que se bate pela liberdade e pela democracia, apesar de conhecedores deste facto, nem o magistrado do ministério público que o acusou e pediu a sua condenação, tenham mandado extrair certidão para que se investigasse e condenasse este hediondo crime.

Saem, pois, impunes, os autores do único crime que se cometeu, naquele dia 15 de Março de 2015, no hemiciclo de S. Bento!



É por isso que o julgamento e condenação de Carvalho Jesus é uma farsa. É porque o sistema judicial considera um crime "perturbar um órgão constitucional", enquanto faz vista grossa a um crime contra a Constituição!


E é para lavrar este protesto contra uma justiça assente na política de "2 pesos 2 medidas" que todos os democratas deverão estar presentes neste dia 13, pelas 09h30, no Edifício A do Campus da Justiça, em Lisboa, na sala 1, no 4º piso.


Ler também: http://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.pt/2016/07/carvalho-jesus-luta-pela-democracia-nao.html



segunda-feira, 4 de julho de 2016

Carvalho Jesus: a luta pela democracia não pode morrer solteira!

Mário Fernando Carvalho Jesus é um operário soldador que vendeu a sua força de trabalho, primeiro numa empresa no centro de Lisboa e, depois, por essa Europa fora, em países tais como a Suíça, Espanha, França, Itália, Holanda e Bélgica, de 1986 a 2012. Começou a trabalhar com 13 anos de idade, como aprendiz de serralheiro, foi servente na construção civil.

O crime de que foi acusado – perturbação de órgão constitucional ! Uma acusação e um caso no mínimo insólito em que a justiça é célere a tentar calar a voz do descontentamento, vinda de cidadãos comuns, do mesmo passo que faz vista grossa às sucessivas práticas inconstitucionais do em boa hora corrido governo de traição nacional protagonizado pela dupla Coelho/Portas.

Segundo os promotores de uma página de apoio ao Carvalho Jesus criada no Facebook, ”...este Cidadão anónimo, teve a coragem de interromper a sessão plenária na Assembleia da República, quando discursava o então Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho, no dia 11 de Março de 2015. Por esse facto e porque não quis que calassem a sua voz, deixando arquivar o processo, foi a julgamento...”.
Um julgamento que teve início a 24 de Junho do corrente, prosseguindo, dia 27, estando prevista a leitura do Acórdão para o próximo dia 13 de Julho, pelas 09h30.
O “crime” de que vem acusado é o de perturbação de funcionamento de órgão constitucional, que está tipificado no Código do Processo Penal, pelo Artº 334, alínea a), tendo o réu, na 1ª sessão do julgamento, recusado admitir que tinha praticado um crime. Na 2ª sessão, quer o juiz presidente – de um colectivo de 3 juízes (o presidente e duas juízas) -, quer o delegado do ministério público tudo fizeram, o primeiro ainda na fase das perguntas – quer a testemunhas, quer ao réu – e o segundo na fase das alegações finais, para caracterizar o “crime” como “premeditado”.
As duas testemunhas – o professor José Zaluar e a companheira do arguido, Maria João Paulo -, para além de sublinharem o empenho na defesa do cidadão do réu em relação a questões sociais de relevo, como eram os cortes nas pensões que naquele dia 11 de Março de 2015 (não será certamente por acaso que na data em que se celebraria a tentativa de golpe fascista, seguida de contra-golpe social-fascista em 1975), e a sua seriedade humana, política e social, enfatizaram que o que o mesmo fez foi dar voz a tantos que gostariam de ter tido a coragem de fazer exactamente o mesmo, não deixando de fazer referência ao facto de muitos outros o terem feito também, nas mais variadas situações.
Porque partilho do ponto de vista da sua companheira e testemunha de defesa, Maria João Paulo, reproduzo neste espaço a estranheza com que no seu último comentário na supracitada página de apoio ao Carvalho Jesus se dirige “aqueles amigos, conhecidos ou desconhecidos, que nem uma palavra têm para com o cidadão Carvalho Jesus” questionando-se, muito justamente, sobre o paradeiro de  “...todos aqueles,que por tudo e por nada publicam tanta coisa, importante sem dúvida, mas que neste caso, nem uma presença,um gosto, um gesto solidário, uma palavra ...” produziram em sua defesa.
Para ousar vencer há que ousar lutar! A todos os que pugnam pela democracia e pela justiça, exige-se a denúncia do que está por detrás deste processo político contra o cidadão Carvalho Jesus. E, o primeiro passo que se lhes exige seja dado é o de estarem em massa no próximo dia 13 de Julho, pelas 09h30, no Edifício A do Campus da Justiça, no Parque Expo, em Lisboa.
Para que conste, o Processo tem o nº 16/15.3P9 LSB e a leitura do Acórdão da sentença deverá decorrer no mesmo local onde tiveram lugar as duas sessões do julgamento, isto é,  no 4º piso do Edifício A do Campus da Justiça, em Lisboa, na sala 1.