terça-feira, 20 de junho de 2017

Incêndios – meio facilitador da acumulação capitalista nos campos!

Há mais de 40 anos que, ano após ano, quando o país arde, lá vêm os sucessivos governos que à vez, sozinhos ou coligados – e relembro que, praticamente todos os partidos do “arco parlamentar”, passaram pelos bancos do poder – , e assessorados por um batalhão de “especialistas” de tudo e mais alguma coisa, afirmar, por um lado, que a culpa foi dos incendiários ou da natureza e, por outro, que agora, sim, irão ser tomadas medidas na direcção certa que, segundo todos eles, é a prevenção.
Porém, ano após ano, o quadro não só se mantém como se agrava. E, a forma de entreter o povo e iludir o fundo das questões é sempre a mesma: a protecção civil não funcionou como devia, os bombeiros manifestam uma profunda descoordenação e falta de meios, etc.

No entanto, a verdade é que, enquanto para a burguesia for mais rentável “combater” os fogos do que preveni-los, os incêndios serão uma chaga com a qual os camponeses pobres e envelhecidos, primeiro, e o povo em geral, depois, se terão de confrontar.

Uma autêntica máfia organizou-se em torno daqueles que podem ter influência e poder e o negócio de equipamentos e meios para bombeiros floresce como poucos sectores da actividade económica no nosso país. Como floresce o negócio das celuloses que impuseram o eucalipto – uma árvore oriunda da Austrália – no ordenamento florestal do nosso país, estando-se completamente nas tintas para o facto e a circunstância de, quando ocorrem incêndios, as projecções das folhas e casca destas árvores atingirem projecções de 500 e mais metros!

Num país em que o processo de acumulação capitalista não chegou a uma grande área da sua estrutura agrária, onde pontifica o minifundio e a dispersão habitacional, onde o campesinato pobre, imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974 não compreendeu – e até rejeitou – que a única aliança que permitiria assegurar o seu futuro era a aliança com a classe operária, aceitando o programa de colectivização dos meios de produção e a mecanização e modernização da agricultura, os incêndios vão produzir o efeito que os caciques locais induziram a estes camponeses quando lhes diziam que os comunistas – para além de comerem criancinhas ao pequeno almoço – lhes queriam roubar as terras.

Claro que, quando refiro o programa defendido pelos comunistas para o sector da agricultura e pela defesa da aliança operário-camponesa, não me estou a referir ao PCP que há muito abandonou este programa revolucionário.

Vejamos! Quando o governo do PS, secundado pelas suas muletas do PCP/BE/Os Verdes, que deveria tutelar a política de ordenamento florestal, vem afirmar que o Estado é detentor, “somente” de 3% da área florestal e, simultaneamente, vem dizer que, num futuro próximo, vai propor e fazer aprovar na Assembleia da República, legislação que visa, num primeiro momento, reprimir e multar quem não proceda à limpeza da mata e acessos e, num segundo momento, caso essa repressão e imposição de multas não tenha sucesso, imporá a expropriação da propriedade dos “infractores”, o que é que esta ameaça representa?!

Representa que o poder está a dar uma indicação clara de que está disposto a dar, de facto, um primeiro, mas grande passo, no caucionar de um roubo que, afinal, não serão os comunistas a praticar, como afirmavam em 74 os caciques locais, mas sim aqueles que visam facilitar a acumulação capitalista nos campos e transformar o minifundio em grandes propriedades onde, ao invés da economia de subsistência, se pratique uma agricultura extensiva e intensiva, incluindo a florestal.
Ao fim de 40 anos de abandono e traição dos camponeses pobres do país, pensa a burguesia aproveitar a enorme tragédia de Pedrogão Grande, para escamotear que foi por sua acção e vontade que os campos sofreram o abandono que hoje se regista. O campesinato pobre e os assalariados rurais, que representavam mais de 20% da população portuguesa em 1974, não representam mais do que 2 a 3% da população actual!

Ora, foi este abandono, foi este estrangular da agricultura, agravado pela adesão de Portugal – primeiro à CEE e depois à UE – a uma comunidade europeia onde os interesses dos grandes agricultores – sobretudo franceses – determinaram uma política de “quotas” que estrangulou definitivamente a exploração agrícola no nosso país, provocou um êxodo da juventude dos campos para a cidade e para a emigração e promoveu o envelhecimento da população dos campos.

Só uma política democrática e patriótica pode garantir um novo paradigma para a agricultura e a independência necessária à sobrevivência deste sector, para que contribua para um Portugal livre do garrote da dívida e do euro.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Um aparelho jurídico e judicial irreformável!

Quando a 25 Abril de 1974 se anunciava o derrube de um regime ditatorial, integrei a corrente de opinião – que ainda hoje integro – que defendia que, não tendo sido derrubado o sistema e o aparelho jurídico e judicial de Salazar e Marcelo Caetano, nada mais seria de esperar deste senão que continuasse a reproduzir a arrogância, a prepotência e o imperativismo cego, populista, demagogo e fascizante que até então vinha destilando ao serviço do sistema político que o sustentava e que acabara de ser, aparentemente, derrubado.

As “reformas” que foram sendo introduzidas, alguma legislação avulsa feita sob encomenda e à medida dos grandes interesses económicos, limitaram-se a refinar o sistema e a torná-lo cada vez mais anti-democrático – nunca deixou de o ser – e maquiavélico, com custos insustentáveis para a esmagadora maioria do povo, uma estrutura com um poder sem controlo que não o dos seus pares, com juízes inamovíveis, não sujeitos, como os restantes órgãos de soberania, ao sufrágio e escrutínio populares.

A santa aliança que então se formou para calar esta corrente de opinião é a mesma que hoje, no parlamento, tem levado a que todos os Grupos Parlamentares – à excepção, imagine-se, do CDS/PP – se tenham recusado a receber uma delegação do Grupo LPML a fim de analisar, debater e discutir a necessidade de revogar a legislação portuguesa – sobretudo os artigos 180 a 187, mas não só, do Código Penal – que, ao arrepio das recomendações europeias, continua a impor penas de prisão efectiva para os acusados de crime de difamação e injúria.

Mas, não tenhamos ilusões! Nenhuma reforma do sistema procederá a alterações substanciais e qualitativas do sistema judicial e jurídico português. Só uma ruptura total com este sistema e a sua praxis poderão assegurar que o povo venha a usufruir de uma justiça colocada ao seu serviço e para seu usufruto e benefício!


Há mais de 40 anos, quando defendíamos que não deveria ficar pedra sobre pedra do edifício judicial e jurídico, acusavam-nos de radicalismo! Hoje, a mesmíssima santa aliança a que acima faço referência, sente-se confortável com um quadro em que a injustiça é uma recorrência, como o é a justiça não tocar nos grandes e poderosos e nos interesses instalados.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Uma síntese do que opõe marxistas a toda a sorte de oportunistas!

Em síntese! O que opõe os marxistas aos revisionistas do PCP, aos social-democratas do Bloco dito de Esquerda e ao partido de direita que se apropriou de uma designação que há muito enterrou na gaveta, isto é, o PS de António Costa?

Enquanto estes últimos se entretêm a elaborar fórmulas que amenizem o capitalismo e a ditadura da burguesia, os marxistas procuram liderar a luta da classe operária e dos trabalhadores portugueses contra o capital e pela destruição do seu sistema político e do seu modo de exploração, que sobrevive à custa da exploração do homem pelo homem.

Enquanto PS, PCP, BE e Verdes (só se for de raiva), procuram soluções que, ainda assim, não coloquem em causa o sistema, como seja o pagamento de uma dívida – que todos eles sabem que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício -, os marxistas advogam a consigna revolucionária, popular e justa do NÃO PAGAMOS!

Pois é! Para os marxistas, não passa de puro oportunismo defender a renegociação ou a reestruturação da dívida – ou mesmo advogar o famigerados eurobonds -, ou afirmar que se devolveu rendimento às famílias e se criaram as condições materiais para o renascer do consumo e da economia e a criação de emprego.

Isto porque, essas serão sempre soluções que interessam mais ao capital do que aos trabalhadores que continuarão a ser explorados, quer porque só têm a sua força de trabalho para vender, quer porque se vêm obrigados a pagar uma dívida que não contraíram. Soluções que asseguram, em última análise, que o negócio da dívida se perpetuará na exacta proporção do agravamento da exploração da classe operária e dos trabalhadores.

Soluções paridas no quadro da manutenção do sistema capitalista e do seu modo de produção e não da ruptura revolucionária com este, como se exige.

Perante um quadro em que 66% do rendimento do país vai directamente para o capital e apenas 34% para o trabalho, continuar a defender aquelas soluções como o fazem PS, PCP, BE e outros oportunistas é pura traição à classe operária e ao povo português. É pura traição aos ideais de Marx e da revolução!

Esta gente não aprende. Passaram mais de 4 décadas a sugerir a aliança Povo/MFA, a glorificar a concertação social, a exigir mudanças de política(?), e qual foi o resultado? De 1975 até à data houve uma dramática alteração do quadro de distribuição do rendimento. Enquanto, um ano após o processo revolucionário desencadeado após o golpe militar de 25 de Abril, era de 66% a parte do rendimento que era destinado ao trabalho, em 2017 essa fatia foi reduzida para quase metade, isto é, 34%!

Se os operários e os trabalhadores, os jovens e os intelectuais, não romperem de vez com estes oportunistas, este quadro nunca lhes será favorável. Tenderá, sempre, a agravar-se, mesmo e apesar de surgirem de permeio geringonças que pareçam amenizar o quadro de exploração a que estão sujeitos.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

Indústria da caridade prossegue com o soma e segue!

Decorreu este último fim de semana mais uma acção do Banco Alimentar, em várias superfícies comerciais por todo o país. A solidariedade, uma vez mais, é traduzida em toneladas! Qualquer coisa como 1.800!
Uma vez mais, milhares de voluntários disponibilizaram-se para recolher todos estes alimentos. Uma vez mais, faz sentido o velho ditado popular, ditado que nos alerta para que, quando a esmola é muita...o povo desconfia! E, se não desconfia, pelo menos deveria ficar alerta!

A caridadezinha burguesa em que assentam iniciativas deste tipo, mas não só, para além de outros objectivos, visa sobretudo adormecer e inebriar a consciência dos trabalhadores e do povo quanto às verdadeiras causas das condições de fome e de miséria para que foram atirados por um sistema que assenta na exploração do homem pelo homem e no sacrossanto lucro.

Num momento em que, fruto das consequências decorrentes das crises económicas e financeiras do capitalismo, em que a planificação económica não se baseia nas necessidades do povo, mas tão só nos lucros que os detentores do capital e dos meios de produção poderão obter – nem que para tal tenham de morrer milhões de trabalhadores em todo o mundo –, logo aparece um batalhão de piedosas almas, as Jonets, as santas casas disto e daquilo, as caritas, muito afogueadas, a organizar peditórios para tudo e mais alguma coisa, dizem eles que para aliviar o sofrimento dos pobres da terra.

Se é certo que milhares de voluntários se prestam a dar a sua genuína e generosa solidariedade, participando activamente em todos esses peditórios – desde os bancos alimentares à recolha de vestuário, passando por fundos para tudo e mais alguma coisa -, não menos certo é que  quem se apropria da direcção e destino do resultado dos mesmos tem uma agenda ideológica que assenta no pressuposto de desculpabilizar o sistema que cria as condições de fome e miséria pelas quais o povo está a passar.
 
Isto, para além de o controlo da esmola ser, por si só, um instrumento de poder e dominação.

E o que dizer, então, da suprema hipocrisia que é o facto de campanhas como as do Banco Alimentar contra a Fome, entre outras, serem ansiosamente aguardadas pelos Pingos Doce e Continentes do nosso descontentamento, que vislumbram nas mesmas uma receita adicional para os seus já abarrotados cofres e para as suas já gordas fortunas?!

Quer as grandes cadeias de supermercados – que, logicamente, se disponibilizam de imediato para aderir a estas campanhas –, quer o estado que defende os seus interesses arrecadam, os primeiros, fabulosos lucros pela venda dos produtos generosamente adquiridos por quem, de facto, quer ser solidário, e os segundos, impostos directos como e IVA e indirectos como o IRC. Contas feitas, neste negócio da caridadezinha, ao destinatário da mesma, se chegarem uns míseros 20 ou 30% do resultado das mesmas já estão com muita sorte, enquanto o estado burguês e os grandes grupos económicos que exploram essas grandes superfícies, abocanham mais de 80%!

Àqueles mais piedosos que, ainda assim, poderão dizer que, então, se não organizarmos este tipo de campanhas é que milhares ou centenas de milhar poderiam morrer à fome, nós respondemos que não é com aspirinas que se curam cancros. O cancro do capitalismo que, ciclicamente, provoca a destruição massiva das forças produtivas e atira para o desemprego, a fome e a miséria, somente em Portugal, mais de 3 milhões de elementos do povo, nunca será ultrapassado com este tipo de paliativo!

A solidariedade operária é bem diversa da caridadezinha burguesa. Assenta na solidariedade militante e activa às lutas que em todo o mundo se organizam e desenrolam precisamente para destruir um sistema que atira para a fome, a miséria e a humilhação quem trabalha ou trabalhou toda uma vida.


A sua cura, em Portugal, passa por uma luta sem tréguas a todos os governos que se dispuserem a ser meros obedientes serventuários dos ditames da tróica germano-imperialista. Passa pela constituição de um governo de unidade democrática e patriótica que nacionalize todas as empresas e sectores de importância estratégica para um novo paradigma de economia, ao serviço do povo e de quem trabalha, um governo que recupere o tecido produtivo que foi destruído à custa de uma política vende-pátrias levada a cabo por sucessivos governos do PS e do PSD, por vezes acolitados pelo CDS.

Um governo que tenha a coragem de expulsar do nosso país a tróica germano-imperialista, que tenha a coragem de colocar o sector bancário sob controlo do estado, um governo que imponha sem hesitações a recusa do pagamento da dívida e dos juros dela decorrentes, um governo que tenha o discernimento e a coragem de preparar o país para a saída do euro e da união europeia.










domingo, 14 de maio de 2017

Efeitos do turismo em Lisboa

Reflexões sobre uma política caótica

Lisboa ocupa o 48º lugar entre as 58 cidades mais caras do mundo. Nada que nos surpreenda! Desde 1 de Janeiro de 2002 – data da forçada adesão de Portugal ao marco alemão, vulgo euro - , de arredondamento em  arredondamento, o custo de vida sofreu aumentos muito maiores do que os salários.

Reféns de uma estratégia imposta pelo directório europeu e pelo imperialismo germânico que o comanda, os sucessivos governos, a sós ou coligados, de PS, PSD, CDS e, agora, até do PCP e do BE – que se prestam a ser as muletas do actual governo de António Costa -, levaram à destruição sucessiva e massiva do nosso tecido produtivo.

Tal estratégia foi acompanhada da venda a pataco – em nome do pagamento de uma dívida ilegítima, ilegal e odiosa – de um conjunto importante de activos, essenciais para que um país possa definir uma estratégia autónoma, independente e favorável às necessidades e interesses do povo, como são, a título de exemplo,  a TAP, os CTT, a EDP e os TLP/PT.

A dívida, o euro, o tratado orçamental, a união bancária, constituem o garrote que estrangula qualquer possibilidade de Portugal ter uma economia independente e soberana, remetendo o país para uma condição humilhante de sub-colónia das potências economicamente mais desenvolvidas, onde a Alemanha imperialista se encontra à cabeça.

Quando era ainda Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa fazia gala de afirmar que o seu projecto para a capital do país era o de criar valor. Elegeu o sector do turismo como alavanca para essa nova estratégia. Os mais incautos consideraram mesmo que foi determinante a sua acção como autarca para que Lisboa reconquistasse para a sua população o acesso e fruição da sua frente ribeirinha.

Volvidos estes anos todos de crescendo de valor, o que se verifica é o crescente aumento de espaço de acostagem para grandes navios de cruzeiros, o surgimento dos pomposamente designados alojamentos locais, hotéis a surgirem como cogumelos por toda a cidade.

Nunca seremos contrários à ideia de acolher adequadamente todos quantos procuram destinos de turismo, lazer ou cultura, no nosso país e, em particular nas nossas cidades, entre as quais se destaca Lisboa.

Mas, seremos determinados na denúncia de uma política de turismo caótica que pronuncia o fenómeno de expulsão dos habitantes da cidade de Lisboa – superior a 10 mil por ano -, e que está a levar a uma completa descaracterização dos bairros populares da capital e de outras cidades do país.

O povo trabalhador de Lisboa, os idosos reformados, as famílias com fracos rendimentos, estão a ser as principais vítimas de um fenómeno que acompanha, normalmente, um crescendo incontrolável e caótico do turismo, como sucede agora. E sentem os seus efeitos quer quando pretendem aceder aos transportes, quer quando precisam de ir a um supermercado ou aceder a um restaurante, adquirir ou alugar uma habitação.

Restaurar prédios devolutos, abandonados, e em acentuada degradação não passa por uma política adequada de habitação, que sirva trabalhadores, reformados e estudantes, mas sim para alimentar a fogueira da especulação imobiliária, do turismo hoteleiro e da habitação temporária.

Os jovens, sobretudo os mais de 120 mil estudantes que frequentam estabelecimentos de ensino em Lisboa, mas vivem nos bairros periféricos, alguns deles na condição de migrantes de outras regiões do país, outros pertencendo a famílias que foram expulsas da capital, experimentam uma cada vez maior dificuldade em suportar os custos das deslocações, da alimentação, a par de outros custos.

Viver em Lisboa, para estes jovens é, de todo em todo, uma miragem, uma utopia, que lhes é liminarmente negada porque, estando os preços da habitação, da alimentação, etc., a serem alinhados pelo poder de compra dos turistas que nos visitam, essa pretensão não pode passar de uma miragem inatingível.










terça-feira, 9 de maio de 2017

Entre só ou mal acompanhado, venha o diabo e escolha!

É recorrente a afirmação de que Salazar, e depois Marcelo – o Caetano, mas também podia ter sido o Rebelo -, empurraram Portugal para uma condição de orgulhosamente sós! 

E a ladainha é repetida até a exaustão para classificar aqueles que, nos dias que correm, afirmam que a única solução que interessa à classe operária e ao povo português passa pelo não pagamento de uma dívida que não contraíram, nem dela retiraram qualquer benefício, fazer Portugal sair do euro e adoptar o novo escudo e desvincular-se da União Europeia.

O regime de democracia burguesa instaurado após o 25 de Abril conheceu sucessivos governos com todas as aritméticas e geometrias políticas que se possa imaginar, todas elas saídas do circo parlamentar burguês que, é certo, trouxeram companhia para um Portugal que até então, e pelos vistos,  tinha estado tão só e fechado sobre si próprio.

Mas, não se pense que foram boas as companhias que estes patifes trouxeram para o país. Não! Foram os modernos corsários que destruíram o nosso tecido produtivo, pilham os nossos recursos – incluindo os da pesca -, impõem-nos uma dívida que foi fruto do casino especulativo em que mergulharam o mundo que teve consequências ainda mais dramáticas para países com debilidades económicas, culturais e políticas como o nosso.


Por isso, quando Marcelo – o Rebelo, mas podia ter sido o Caetano – vem hoje afirmar uma redundância, isto é, que sair do euro representaria, para Portugal, sair da União Europeia, temos de concluir que, entre estar sós ou acompanhados por estes novos títeres que nos sub-colonizam, à pala de uma dívida que, propositadamente, mantêm IMPAGÁVEL, dívida que, asseguram, se deve ao facto de o povo português ter estado a gastar acima das suas possibilidades – quando os Salvados, os BES, os BPN, os BANIF, os BPP, as PPP’s, e muitos outros a quem a banca foi dando dinheiro a título de empréstimos sem retorno (ou seja, a serem pagos pelo povo), nos dão uma perspectiva completamente diferente-, fosse eu adepto de uma visão religiosa das consequências que a história produz, diria... venha o diabo e escolha

segunda-feira, 8 de maio de 2017

França – o fim de um pesadelo?

Fim de um pesadelo, afirma o sector da burguesia europeia que mais teria a perder com a saída da França da União Europeia e do euro.

Desengane-se o leitor incauto que julga que o nacionalismo xenófobo do clã Le Pen é o único pesadelo com que os povos da Europa e do mundo se confrontam.

A vitória de Macron em França deveu-se aquilo que o próprio criticava na sua rival Marine Le Pen. Isto é a utilização do medo como forma de paralisar e manipular a consciência dos operários, trabalhadores e das massas populares francesas em geral.

Mas, vejamos os factos e como se gerou, no tempo, esta onda Macron:

·         Em Junho de 2016 o então 1º Ministro do governo de François Holland, o neo-fascista Manuel Valls – militante do PSF -, invocando o artigo 49-3 da constituição francesa que permite ao governo francês aprovar qualquer texto sem votação se houver assunção de responsabilidade – um pouco à imagem do que a constituição portuguesa considera ser o interesse público -, faz aprovar uma lei proposta pelo então ministro da economia do seu governo – Emmanuel Macron, igualmente militante do socialista PSF -, um projecto destinado a liberalizar o código do trabalho – isto é, facilitar os despedimentos e desregular a carga horária do trabalho -, assim como alargar o trabalho ao domingo.
·         Uma lei cujo texto levou às ruas centenas de milhar de operários e trabalhadores, num movimento revolucionário que só não se consolidou e saiu vitorioso por causa da acção oportunista e traidora de centrais sindicais que, à imagem do que fazem CGTP/Intersindical e UGT, em Portugal, desarmam ideológicamente os operários e os trabalhadores e levam-nos para autênticos becos sem saída à pala da política de concertação social e paz social, como se a luta de classes não fosse o motor da história e não fossem anatagónicos os interesses que opõem operários e trabalhadores aos detentores do capital e dos meios de produção.
·         A provar que não há leis acima dos interesses de classe e das classes, a chamada Lei Macron mereceu, nessa altura, o acolhimento, aplauso e apoio por parte das grandes empresas e empresários franceses – e não só -, que consideraram estar a mesma na direcção certa, como afirmou a Medef, a federação dos empresarios e grandes patrões franceses.
·         Uma lei que visa facilitar a exploração dos trabalhadores, sobretudo aqueles que estão ligados às actividades de transportes e de turismo, ao permitir que lhes seja imposto o trabalho a um maior número de domingos durante o ano do que aqueles que os contratos colectivos de trabalho permitiam, sem que haja qualquer compensação monetária por esse facto.

      Se este é o passado sombrio do enfant gatée do regime burguês em França, nenhuma esperança pode haver, para os operários, para os trabalhadores, para as massas populares francesas – mas também da Europa – que este personagem vá inflectir nas políticas que ele e o seu antecessor foram impondo, quer em França, quer no resto da Europa, quer no mundo:

·         Isto porque Macron é o herdeiro dilecto das políticas securitárias e persecutórias das comunidades árabes, sendo adepto – como defende o seu programa político para as presidenciais que agora venceu –da manutenção do estado de emergência que Hollande impôs, em nome da luta contra o terrorismo.
·         Macron assegurará, ainda, a política de agressão imperialista levada a cabo pela França contra os povos do norte de África, mantendo as tropas coloniais em países como a República Centro-Africana e o Mali, entre outros, e continuando a pilhar os recursos energéticos, as matérias primas, os activos e as riquezas desses países, espoliando os seus povos de toda a riqueza e assassinando milhares dos seus habitantes.
·         Macron prosseguirá a história que faz da França uma das antigas potências coloniais europeias que mais intervém nos assuntos africanos.  Desde que se iniciou o chamado processo de descolonização, até à data de hoje, os sucessivos presidentes e governos franceses já se envolveram em mais de cinquenta intervenções militares em países africanos, promovendo sucessivos golpes de estado que ajudaram a depor governantes ou levaram ao poder governos que melhor defendessem os seus interesses nesses países ou regiões.
·          Trata-se, portanto, de um país que pratica uma activa política intervencionista no continente africano, sobretudo nos Estados que outrora estiveram sob o jugo do colonialismo francês, e onde mantém ainda diversas bases militares.
·         Para além disso, apoiou e continua a apoiar, de forma aberta – quer enviando tropas e técnicos e conselheiros militares, quer vendendo armas –, e em nome de obscuros direitos do homem, as chamadas primaveras árabes,a deposição de regimes como o de Kadafi – que levou a um autêntico vazio de poder e caos na Líbia -, com os mesmíssimos mercenários, logística  e armamento que depois enviou para a Síria e outros teatros da guerra imposta pela aliança imperialista.
·         Macron, como Hollande, criam com esta política imperialista, assassina e rapace, quer as condições para uma reacção patriótica dos povos vítimas da ocupação e pilhagem francesa, quer as condições para o eclodir de uma guerra cívil em França, já que mais de 15% da população francesa é, nos dias que correm, de origem árabe!

Porém, este pesadelo não se confina a França e aos operários, trabalhadores e massas populares francesas. Sendo que a França integra o eixo Paris-Berlim que tem imposto o euro, a política orçamental, cambial e financeira, a política de segurança territorial, a união bancária, as políticas de controle da inflação – favoráveis a economias superavitárias como a da Alemanha -, Macron que, recorde-se, foi ministro da economia de um governo tutelado por Hollande – que se prepara para uma reforma dourada -, já deixou bem claro que deseja prosseguir na defesa do mesmo programa neo-liberal que tanto tem afectado outros países europeus.

Sobretudo naqueles que, como Portugal, ostentam uma enorme fragilidade e debilidade da sua economia, em grande medida devido ao facto de terem aceite o que aquele eixo determinou e que levou à liquidação do seu tecido produtivo – industrial, agrícola e não só.

Será possível transformar tal pesadelo numa saída revolucionária que sirva os interesses, tanto dos operários, dos trabalhadores e do povo francês, como os de outros países, como Portugal? Claro que sim! Desde logo, e prosseguindo a consigna internacionalista marxista de Proletários de Todos os Países, Uni-vos!, os povos alvo das agressões imperialistas e a classe operária e o povo que habitam e trabalham nos países imperialistas, devem saber transformar as guerras imperialistas de agressão em guerras revolucionárias populares. Ficou provado, no passado recente, que o imperialismo é um tigre de papel quando os povos se levantam e se lhe opõem!

Por outro lado, temos de contar com a sagacidade com que os operários e os trabalhadores franceses saberão lidar – e tirar o devido proveito -, das enormes e complexas contradições que existem entre os vários sectores da burguesia em França.

Contradições que estão bem patentes quando vislumbramos o panorama que se abre com a vitória de Macron nas recentes eleições presidenciais francesas, que não encontrará respaldo na composição da Assembleia Nacional que sairá das eleições legislativas que vão ter lugar, em Junho próximo, naquele país.

Paradigmático deste quadro de contradições é o facto de que mais de 46% daqueles que asseguraram, à 2ª volta das eleições, a vitória de Macron, revelarem que votaram nele, não pelo programa que este apresentou ao país, mas por temerem que Marine Le Pen e o seu partido nacionalista, xenófobo e fascista – que cresce na razão directa da deriva de falsos socialistas, falsos democratas e falsos patriotas -, chegasse ao poder.
Isto é, o valor eleitoral de Macron, na perspectiva das eleições legislativas francesas, não deverá chegar a 8% dos votos expresssos! Caso para dizer que Macron deu um passo maior do que a perna e que ainda a procissão vai no adrio!

A solidariedade internacionalista não pode ser desviada, no entanto, para as soluções chauvinistas daqueles que advogam a política do mal menor para justificar o seu apoio a Macron, em França, ou a António Costa, em Portugal. Essa solidariedade internacionalista tem de estar presente na luta contra o euro e a união europeia que se tem traduzido num dramático empobrecimento dos povos – sobretudo nos chamados países periféricos – em nome do pagamento de uma dívida que não foi contraída por eles, nem eles dela retiraram qualquer benefício!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

“Concertação Social “– quando a “solução” é o problema!

Segundo um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgado no dia 1º de Maio deste ano e baseado numa exaustiva compilação de dados, que abrangem trabalhadores em regime de full  e part-time, a idade média do trabalhador, o montante mensal da sua remuneração e o sexo, quando se comparam tais dados com os dos restantes trabalhadores europeus – sobretudo com aqueles que trabalham no espaço da UE a 28 -, o trabalhador português trabalha mais horas, recebe cerca de metade do salário médio europeu e o seu nível de escolaridade é inferior.

O que o estudo escamoteia é que este quadro se deve a mais de 4 décadas de políticas de concertação social, durante as quais a conciliação, a hesitação e a traição miserável aos interesses dos trabalhadores– em nome de tornar conciliável algo que não o é, isto é, os interesses dos trabalhadores com os interesses do capital -, acompanhado de uma política de educação completamente alheia aos interesses de uma economia mais qualificada e virada para a satisfação das necessidades do povo e de quem trabalha, levaram a uma progressiva degradação, quer da distribuição dos rendimentos em relação a quem trabalha, quer da formação superior e técnica necessárias para uma economia mais moderna e eficiente.

Senão, vejamos! Segundos dados da Pordata, desde 1974 que os rendimentos do trabalho foram superiores aos rendimentos do capital. Esta tendência teve o seu auge entre 1975 e 1976, conforme se pode constatar pelo quadro anexo.


Foram os desvios oportunistas, operados pelas duas centrais sindicais – UGT e CGTP/Intersindical - , que amarraram os trabalhadores à armadilha da concertação social, sujeitando-os ao colete de forças de estruturas sindicais que se foram afastando dos operários e dos trabalhadores, privilegiando as lutas de gabinete, em vez das lutas nos locais de trabalho, demitindo-se de exercer uma direcção sindical revolucionária, que levou ao actual quadro.

Um quadro onde a parte dos rendimentos que se destina aos salários de operários e restantes trabalhadores caíram dos 68,9% de 1975 para os pouco mais de 33%, para grande gáudio de todos os capitalistas e da burguesia em geral!!! Não vale a pena vir-se carpir, como o faz Arménio Carlos da CGTP/Intersindical ,da situação e ficar-se pela constatação dos factos!


Há que perceber que, num quadro onde, para agravar este desequilíbrio, os sucessivos governos da burguesia – incluindo o actual governo de António Costa, apoiado pelas suas muletas PCP/BE/Verdes e PAN – com maior ou menor intensidade impõem aos trabalhadores o pagamento de uma dívida que não contraíram, nem dela retiraram qualquer benefício, num quadro onde o pagamento da dívida – e juros – compromete qualquer aposta no investimento da educação e de uma maior e mais eficiente especialização -seja em que área for da ciência, da indústria, do desenvolvimento ou da inovação -, só a ruptura com o colete de forças da concertação social, só impondo uma direcção adequada aos interesses dos trabalhadores na frente sindical, firme e musculada, será possível inverter este quadro.

domingo, 30 de abril de 2017

Ataque à memória de Martins Soares não pode ficar sem resposta!

Ainda a propósito de uma notícia que foi publicada no jornal  LUTA POPULAR Online, órgão central do PCTP/MRPP - http://www.lutapopularonline.org/index.php/partido/2236-provocacao-contra-o-partido-e-a-memoria-de-martins-soares - a denunciar a miserável provocação de que foi alvo o nosso muito querido camarada Martins Soares, um reconhecido e prestigiado dirigente comunista, marxista-leninista, não podia deixar de contextualizar de que meio familiar, político e cultural vinha este nosso camarada.
Miguel Carvalho
O rosto de uma provocação rasteira e miserável

Se este provocador social-fascista tivesse feito – ou tivesse querido fazer – um bom trabalho de casa, começaria por verificar que, do ponto de vista cronológico,  não poderia o nosso camarada ter estado na reunião ocorrida em Paris, em Setembro de 1974, já que, infelizmente, havia falecido, num trágico acidente rodoviário, em Junho de 1974.

Como se pode dar credibilidade ao resto do relato histórico sobre a história dos grupos de extrema-direita que este jornalista, agora arvorado em historiador, nos propõe em “Quando Portugal ardeu”, quando se constatam mentiras deste jaez?!

O que é objectivo e inegável é que a objectividade do relato dos factos feita por Miguel Carvalho visa escamotear que grupelhos fascistas como o ELP e o MLDP prestaram, de facto, um grande serviço ao PCP ao proporcionarem ao partido social-fascista a justificação para o contra-golpe que levaram a cabo a 11 de Março de 1975, do qual ía resultando - não fosse a resistência democrática e patriótica que se gerou e se lhe opôs– uma verdadeira ditadura social-fascista em Portugal.

A verdade da mentira de Miguel Carvalho atinge, porém, outros protagonistas. Não foi só a memória do nosso camarada Martins Soares que ele atacou e provocou, mas também o seu passado familiar onde grandes figuras da cultura marcaram presença, desde logo a da sua mãe, Luzia Maria Martins.

A mentira tem perna curta
Luzia Maria Martins que, a 16 de Dezembro de 1964, em conjunto com a sua amiga de sempre, Helena Félix, apresentaram o primeiro espectáculo – a peça “Joana de Lorena” – da Companhia “Teatro Estúdio de Lisboa” na sala de cinema da Feira Popular de Lisboa, em Entrecampos. Sala que haveria, a partir de 1972, de converter-se no icónico “Teatro Vasco Santana” – em homenagem àquele que foi considerado um dos maiores actores de sempre do teatro e do cinema portugueses.

Falecida a 26 de Junho de 2001 e considerada por muitos como a precursora do teatro independente em Portugal e a quem José Saramago atribui a responsabilidade de o ter feito escrever uma peça de teatro - "A Noite" -, Luzia Maria Martins era mãe do nosso querido camarada. Foi também a sua memória que este energúmeno que dá pelo nome de Miguel Carvalho, atacou.

 Na sua sanha persecutória ao MRPP – hoje PCTP/MRPP -, e a mando do partido social-fascista, tal como não cuidou de proceder ao contraditório quanto à informação objectiva que, segundo ele, colocava Martins Soares, em Paris, em Setembro de 1974, quando havia falecido em Junho desse ano, isto é, cerca de 4 meses antes do alegado evento fundador do ELP, também não se interessou, sequer, por saber quem era, de que meio sócio-cultural e político, provinha o nosso camarada.

Martins Soares que, para além de militante e dirigente do então MRPP - hoje PCTP/MRPP - tinha sido director de "O Tempo e o Modo", na 2ª fase do seu percurso, um forum político e cultural de grande prestigio e que deu um importante contributo à luta contra o regime fascista.


Um acto de miserável e rasteira provocação, como se pode constatar da verdade da mentira sobre os factos que dão consistência às conclusões objectivas a que o jornalista/historiador – e social-fascista – Miguel Carvalho chegou no seu vómito que designou como livro “Quando Portugal Ardeu”. Uma provocação que certamente não ficará sem resposta!

sábado, 29 de abril de 2017

A reestruturação da dívida e o Estado Social!

Existe em Portugal – e não é um atributo meramente nacional, pois manifesta-se por esse mundo fora – uma esquerda que se entretém a enganar a classe operária e os trabalhadores com a consigna do Estado Social  e com a proposta de renegociação ou reestruturação da dívida pública, fazendo acreditar que esses seriam dois dos grandes objectivos da luta e do porvir histórico da classe operária e dos seus aliados.

Sem que tal constitua já qualquer motivo de surpresa, foi agora anunciado o resultado do que foi cozinhado, nas costas do povo português, por um Grupo de Trabalho formado pelos sociais-democratas, representantes de uma pequena burguesia burguesa e pseudo iluminada, do Bloco de Esquerda e o Partido Socialista, a propósito da dívida pública e de qual a receita que propõem para que esta seja paga.

Sempre o afirmámos que admitir que esta dívida é para ser paga é admitir o principio propalado pelo imperialismo germânico e seus lacaios de que o povo esteve a viver acima das suas possibilidades sendo, portanto, a dívida legítima. É escamotear que a dívida pública não passa de um mero instrumento de chantagem - http://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.pt/2015/07/euro-e-divida-sao-indispensaveis.html -, pressão e neo-colonização usado pelas potências mais ricas, imperialistas e seus satélites, sobre nações mais fragilizadas, em virtude de terem embarcado nas políticas de destruição do seu tecido produtivo que aquelas impuseram e, por isso, se terem tornado ainda mais dependentes e vulneráveis a ataques especulativos de toda a ordem.
Ataques especulativos que foram facilitados e ampliados, entretanto, com a imposição por parte do imperialismo germânico e seus acólitos, de toda a sorte de Tratados, como o tratado Orçamental, o tratado da União Bancária – percebendo-se cada vez mais porque é que o BE se absteve na sua votação, quando ele foi proposto pela então deputada europeia pelo PS, Elisa Ferreira - , o euro, etc.
Em devido tempo denunciámos a tentativa do PS de defender que havia uma estratégia de esquerda para levar a cabo as imposições da tróica germano-imparialista e outra, de direita, protagonizada pelo governo de aliança entre a extrema-direita e a direita, isto é, do PSD e do CDS-PP. Como denunciámos, com igual firmeza e acuidade, a estratégia proposta por BE e PCP de renegociação ou reestruturação da dívida.

Tal como afirmava no meu artigo - (http://queosilenciodosjustosnaomateinocentes.blogspot.pt/2013/02/o-modus-operandi-do-negocio-da-divida.html– a burguesia e os grandes grupos capitalistas, sobretudo os ligados às áreas da finança e da banca,  esfregaram as mãos de contentamento face a esta tão generosa proposta.

Quanto mais tempo se perpetuar a dívida, mesmo baixando os juros,  maiores são os lucros. Este é, aliás, o mesmo principio abusivo que leva os bancos a penalizar os seus clientes que desejem antecipar o pagamento das dívidas. O que se pretende é precisamente – e ademais com o aval do estado – que a dívida renda dividendos pela maior extensão possível de tempo.

E, a confirmar que tínhamos toda a razão quando denunciámos este patifes reaccionários e oportunistas, estão as conclusões a que o supracitado Grupo de Trabalho, constituído por representantes de PS e BE, chegaram. Pagamento da dívida em 45 anos, com o pressuposto de baixar os juros decorrentes do serviço da dívida e, como tal, garantir que a percentagem do PIB afectado para esse desiderato permita que sejam afectados mais recursos àquilo a que pomposamente classificam de Estado Social.

Uma traição miserável, desde logo porque escamoteia que o estado é uma decorrência da luta de classes e que a luta por um estado social no contexto de uma sociedade capitalista, dominada pela burguesia, é uma redundância sem qualquer sentido.

Só destruindo o modo de produção capitalista, substituindo-o pelo modo de produção comunista, só quando a classe operária – incluindo os assalariados rurais -e os seus aliados tomarem o poder e destruírem o estado capitalista, sobre os escombros do qual construirão o estado que cumprirá o objectivo de extinguir as classes e as lutas que elas travam entre si e, com isso, levem ao próprio desvanecimento do estado, é que se poderá admitir que, finalmente, a cada um será proporcionado aquilo de que verdadeiramente necessita – seja em termos de saúde, educação, habitação, alimentação ou outra necessidade qualquer.

Esta traição, insidiosa e enganadora, cumpre exactamente os objectivos da burguesia. Desarma os operários e seus aliados, fazendo crer que, no quadro do sistema capitalista existe a possibilidade de amenizar a exploração desalmada a que estão sujeitos, a par do saque, morte e miséria a que as potências imperialistas sujeitam os seus países, nações ou territórios.

Marx, no seu Manifesto do Partido Comunista foi claro quanto ao papel destes oportunistas no seio do movimento operário e popular e traçou-lhes um destino: o caixote do lixo da história. E, a história, de forma inexorável , tem-no comprovado. Todos aqueles partidos ou organizações oportunistas, que se afirmam de esquerda, que têm desviado a revolução do seu porvir histórico – que é o de destruir o estado capitalista, o imperialismo e as relações de produção capitalistas -, depois de cumprirem a sua função ao serviço da burguesia são, pura e simplesmente, rejeitados por operários e trabalhadores que enganaram durante toda a sua existência.

Veja-se o que se passou em Itália com o partido revisionista e, posteriormente, com o partido dito socialista. Varridos do mapa político! Em Espanha, o PSOE, está completamente pulverizado e deixou de merecer sequer a confiança dos seus patrões como válvula de escape para a pressão revolucionária. A burguesia encomendou essa tarefa a estruturas ditas horizontais como o PODEMOS!

As eleições francesas são paradigmáticas desta tendência. O PSF sai arrasado das últimas eleições presidenciais! Mais uma vez, a burguesia francesa  aposta noutros cavalos. E isto acontece em França, em Espanha, na Itália, como acontecerá em Portugal e noutros países do mundo onde estes arautos do estado social e outras patranhas como o socialismo democrático, o capitalismo civilizado, ou o reclamar da prossecução de políticas de esquerda no quadro de nações onde impera o capital, o capitalismo e o imperialismo, levam a uma situação em que a classe operária e os seus aliados, tendo consciência de que estes oportunistas não servem os seus interesses, não compreenderam ainda os caminhos, a linha e os objectivos que devem abraçar para, de uma vez por todas, assumir o seu porvir histórico que é o de acabar com a exploração do homem pelo homem, de criar as condições para que deixem de haver classes e luta de classes e necessidade de estado para regular – a favor da classe dominante – os interesses antagónicos entre elas.

Tal como no passado, estes oportunistas, apesar de se reclamarem da esquerda, pelas suas hesitações, pelas traições que protagonizam, pelos desvios que impõem à revolução, são os únicos e verdadeiros responsáveis pelo descrédito em que a classe operária e os seus aliados têm as políticas, programas e estratégia apresentadas pela esquerda, mesmo que formal, levando um sector significativo das massas populares a abraçar ideologias populistas, fascistas e de extrema-direita.

Temos de perceber que um discurso contra a austeridade, acompanhado do apoio a políticas que retiram a cada país a sua capacidade de decidir – de forma independente – a sua política fiscal, cambial, bancária, financeira, etc., não só soa a falso como conduz a classe operária e os seus aliados ao...cadafalso!
A tenaz da dívida aperta-se, o euro e a dívida proporcionam às potências mais relevantes na Europa – Alemanha e França – lucros cada vez mais fabulosos. Aliás, o maior negócio para essas potências e suas marionetas é mesmo, nos tempos que correm, o negócio da dívida!

Um estado onde uma burguesia nacional compradora – que vive como parasita à sombra dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais europeus -  aceita que a sua política orçamental, fiscal, cambial, bancária, etc., seja ditada por um directório dominado sobretudo pelo imperialismo germânico, leva esse país – como acontece com Portugal – a ver-se exaurido dos seus recursos e activos e a acabar por vender, a preços de saldo, empresas e activos determinantes para traçar uma estratégia económica e financeira independente e favorável a quem trabalha.

Esta política oportunista e traidora está a atirar largos sectores do proletariado e popular para o círculo de influência política de organizações de extrema-direita, fascista e chauvinista, está a contribuir para que o imperialismo prossiga a sua estratégia de pilhagem e morte por todo o globo terrestre.


Resulta claríssimo deste acordo entre BE e PS, e das conclusões a que o grupo de trabalho que constituíram chegou, que o objectivo de ambos nunca foi o de servir o povo e satisfazer as suas necessidades, mas sim salvar a burguesia, o seu sistema capitalista e, sobretudo, o grande capital financeiro e bancário nesta hora de aflição em que se encontram devido à política de casino especulativo em que embarcaram. Apesar de não ter participado no grupo, o PCP não deixa de defender os mesmos objectivos quando propõe a renegociação da dívida.

A classe operária e os seus aliados têm de se ver livres destas autênticas cortinas de fumo que a burguesia produz e alimenta para os desviar dos seus objectivos históricos. E não é substituindo umas por outras que o vai conseguir. Só quando compreenderem que não existem almoços grátis, só quando se decidirem por uma luta dura, prolongada e sem quartel, dirigidos por um Partido Comunista Operário, baseado nos princípios marxistas, que  consiga reflectir, sintetizar e corporizar os seus interesses, sem hesitações ou desvios, é que conseguirá, finalmente, libertar-se das grilhetas da exploração a que estão sujeitos!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O Imperialismo e Todos os Seus Lacaios São Tigres de Papel!

EDITORIAL


O Imperialismo e Todos os Seus Lacaios São Tigres de Papel!
     Caros Camaradas,
     Esta madrugada, pelas duas horas da manhã, os dois instrumentos básicos de organização e difusão do Partido na WebLuta Popular Online e pctpmrpp.org – foram objecto de um ataque por um grupo de hackers, autodenominado Yankers Crew.
     Hacker é a designação dada ao indivíduo que se dedica a alterar os dispositivos, programas e redes de computadores, com vista a destruí-los, modificá-los ou eliminar os respectivos conteúdos.
     O ataque sofrido pelo nosso Partido esta madrugada foi duro, pois destruiu e apoderou-se de importantes elementos da organização recolhidos no site oficial do Partido, denominado pctpmrpp.org, e destruiu todo o jornal do Partido Luta Popular Online, incluindo todos os artigos escritos até hoje.
     Conseguimos recuperar já o jornal do Partido na WebLuta Popular Online – e pô-lo ao serviço de todos os camaradas e leitores que o quiserem consultar, desde já.
     Recuperámos também o pctpmrpp.org. Quanto aos artigos do jornal, só após um trabalho de cinco horas poderemos tê-los recuperado completamente. Foram eliminados pelos piratas – e com isso deixaram impressas as marcas das suas ferraduras – os meus artigos assinados contra Cavaco, contra o imperialismo francês, inglês, americano e belga, em defesa dos povos e nações árabes atacados pelos imperialistas, e contra o grupelho antipartido, anticomunista e antimarxista de Garcia Pereira e respectivos sabujos.
     Nada garante que o nosso jornal e o site do partido não possam ser de novo hackerados uma e muitas mais vezes.
     O Yankers Crew, (tripulação de ianques) parece ser produzido e emitido no Brasil, e, na sua página de hoje do facebook, vangloria-se de ter “pirateado (hackerado) o site de um partido comunista português” cujo nome todavia não menciona…
     De momento, não sabemos ainda se o Yankers Crew actuou a mando da CIA ou das secretas portuguesas ou de ambas simultaneamente, e se tem ou não ao seu serviço elementos do grupelho antipartido de Garcia Pereira, e quais.
     Na minha opinião, o ataque dos piratas desferido esta madrugada tem origem num grupo de Hackers (Yankers Crew) ao serviço da CIA e usado pelas secretas portuguesas, com a participação de elementos do grupo antipartido de Garcia Pereira e capangas, nomeadamente o antigo funcionário do jornal Rui Miguel, o traidor dos operários do Metropolitano Laires, Garcia Pereira, mulher e cunhado (polícia), que estão nitidamente ao serviço das secretas portuguesas e dos imperialistas.
     O ataque dos piratas desta manhã é mais grave do que todas as anteriores manobras do grupelho antipartido do papagaio Garcia Pereira.
     O Partido está actualmente a ser directamente atacado pelas polícias secretas do imperialismo ianque, português e internacional, com a ajuda dos lacaios do grupelho antipartido do papagaio Garcia.
     O nosso Partido deve manter-se unido como uma rocha, cerrar fileiras em torno do Congresso Regional e prosseguir sem hesitação as suas tarefas revolucionárias.
     O Imperialismo e todos os seus lacaios são tigres de papel!
     Proletários de todos os Países, Uni-vos!
     Venceremos!
Arnaldo Matos

As Forças Armadas ao Serviço do Imperialismo

Eis o artigo, escrito por Arnaldo Matos e publicado na edição do LUTA POPULAR Online do passado dia 21 de Abril de 2016, que despoletou nova onda censória dos fascistas contra os comunistas do PCTP/MRPP.

Para que não seja possível calar a VOZ DA CLASSE OPERÁRIA, reproduzo esse importante e clarificador texto nas páginas do meu blogue.

"Passou quase totalmente despercebida a reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional do dia 24 de Março, a primeira que se realizou sob a direcção do actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

E todavia essa reunião, ardilosamente ocultada, revestiu-se de um sinistro significado político e militar para todo o povo português, desde logo porque, nas costas do povo e contra ele, reforçou a submissão das forças armadas nacionais no seu papel de lacaios do imperialismo europeu, nomeadamente o francês, mas também do imperialismo americano, e fez acrescer substancialmente o risco de virem a ser desencadeadas, no território de Portugal e no seu espaço marítimo e aéreo, acções de represálias militares do tipo das que vimos já serem levadas a cabo em Paris, no dia 15 de Novembro do ano transacto, e em Bruxelas, em 22 de Março último.

Nos termos da Lei de Defesa Nacional, o Conselho Superior de Defesa Nacional é, conjuntamente com o Presidente da República, a Assembleia da República e o Governo, um dos quatro órgãos políticos directamente responsáveis pela política de defesa nacional. Presidido pelo Presidente da República, o Conselho Superior de Defesa Nacional tem, entre outras competências no âmbito consultivo, a de emitir parecer sobre a participação de destacamentos das Forças Armadas e de outras forças (designadamente policiais ou secretas, quando integradas numa força militar), em operações militares no exterior do território nacional.

Ora, conforme consta de um curtíssimo comunicado de seis aligeirados parágrafos publicado no portal informático da presidência da república, mais destinado a iludir do que a esclarecer o que verdadeiramente se terá passado na reunião do Conselho, este terá efectivamente reunido “para deliberar sobre a participação das Forças Armadas em operações no exterior do território português”, consoante proposta apresentada pelo governo de António Costa, “à luz dos recentes acontecimentos em Bruxelas”.

O Conselho Superior de Defesa Nacional reúne, ordinariamente, uma vez por trimestre e, extraordinariamente, sempre que for convocado com urgência para deliberar sobre matérias da sua competência.

No seu breve comunicado, Marcelo alega que o Conselho Superior de Defesa Nacional “reuniu em sessão ordinária”, mas borra totalmente a pintura da mentira quando se vê forçado a reconhecer o carácter urgente e extraordinário da sessão, primeiro porque decorreu, segundo as suas próprias palavras, “à luz dos recentes acontecimentos em Bruxelas”, ocorridos na antevéspera da reunião do Conselho, e depois porque começou exactamente por examinar “as perspectivas desses acontecimentos no curto e médio prazos da Política de Defesa Nacional”.

Apesar das aldrabices que todos os portugueses já conhecem em Marcelo, não há dúvida de que os acontecimentos de Bruxelas obrigaram a uma reunião urgente e extraordinária do Conselho Superior de Defesa Nacional em Portugal, precisamente “para deliberar sobre a participação das Forças Armadas em operações no exterior do território nacional português”.

Note-se que o actual Conselho Superior de Defesa Nacional é composto por todos os políticos e militares directamente responsáveis pela defesa nacional. Mas note-se, sobretudo, que esta plêiade de reaccionários, verdadeira brigada política do reumático, já deixou de falar em terrorismo e actos de terror e cobardia, como vinha falando até agora. Porém, agora passou a falar em acontecimentos de Paris e de Bruxelas, estando a dar pela primeira vez sinais de ter entendido que os actos militares dos jiadistas em Nova Iorque, Londres, Madrid, Paris e Bruxelas são acções militares de extensão e globalização à Europa e aos Estados Unidos da América, da guerra movida pelo imperialismo contra os povos árabes e muçulmanos da África e do Médio Oriente.

O comunicado da sessão extraordinária do Conselho Superior de Defesa Nacional, nos seis parágrafos publicados no portal electrónico da presidência, já não contém um único vocábulo igual ou associado a terrorismo ou a cobardia.

Estão a aprender depressa, os nossos responsáveis politico-militares!...
Acontecimentos de Paris, Bruxelas, Londres, Madrid, Nova Iorque: acontecimentos a que todavia falta ainda o determinativo de militares, para que todos percebam que é de guerra que se trata, de guerra movida pelos imperialistas e que os povos atacados estão a conseguir fazer reverter às metrópoles desses mesmos imperialismos.

Ora, foi para definir com urgência a participação de Portugal, no curto e no médio prazos, que se reuniu o Conselho.

Sob proposta do governo de António Costa, o Conselho deliberou enviar um contingente de 160 homens e mulheres do exército, correspondente aos efectivos de duas companhias de caçadores dos tempos em que, com elas e contra minha vontade, andei a defender o Império de Macau e Moçambique, a enviar imediatamente, a pedido da França, para a República Centro-Africana.

O raciocínio é este: monsieur Hollande pede ao senhor Costa, dois socialistas de pacotilha, o envio imediato de duas companhias para defender os interesses do imperialismo francês, designadamente as minas de urânio locais, na República Centro-Africana, porque monsieur Hollande precisa de retirar daí tropas para reforçar as tropas do Hexágono francês onde afinal há mesmo uma guerra, que até aqui há seis meses só eu a via, ou só eu tinha a coragem de a dizer, mas que agora até o peticego Costa e os anjinhos do Conselho Superior de Defesa Nacional em Lisboa já conseguem ver, agora que o estado de emergência acaba de ser prorrogado por mais dois meses, em toda a pátria de Voltaire.

O contingente (160 homens) e o período de cedência (inicial de um ano) podem vir a ser aumentados, por tempo e efectivos não determinados.

Vamos pois entrar num teatro de operações militares de altíssimo risco, para defesa exclusiva dos interesses do imperialismo francês num país africano, que foi uma colónia e continua a ser uma neo-colónia da França, e onde já estão concentrados mais de 20 000 soldados estrangeiros, alguns fornecidos pela ONU.

Um segundo contingente, com uma aeronave ainda não especificada da Força Aérea e um efectivo de 75 militares, mais ou menos uma companhia de caçadores especiais do meu tempo de miliciano, segue imediatamente, sempre por proposta do Costa e deliberação favorável do Conselho, para o Mali, onde Portugal já tem um pequeno contingente instalado num hotel, também para defesa de interesses exclusivos do imperialismo francês, conforme aqui denunciei outro dia.

O pior teatro de operações é precisamente o do Mali, porque é aquele onde estão mais activos os jiadistas do Estado Islâmico e da Alcaida do Magrebe.

Ora, Portugal já tem um contingente de 30 militares no Iraque, de 50 no Afeganistão e uma companhia de infantaria reforçada por um esquadrão de carros de combate no Kosovo.
Uma das nossas duas fragatas, do tipo da Vasco da Gama, guarda o flanco Sul da Nato, entre Cabo Verde e o Golfo da Guiné, em vez de patrulhar os nossos mares abandonados aos espanhóis.

Que política é esta?!

Portugal não tem nenhum interesse no Afeganistão, no Iraque, no Kosovo, no Mali, no Chade ou na República Centro-Africana. Mesmo quando porventura tivesse aí interesses legítimos, haveria de respeitar-lhes a sua independência e soberania, abstendo-se de os invadir e agredir.

Portugal é um país paupérrimo, de desempregados e de emigrantes, assoberbado por uma dívida gigantesca que nunca conseguirá pagar. Onde irá Portugal produzir riqueza para sustentar umas Forças Armadas que se acham dispersas por três continentes, precisamente como nos tempos ruinosos de Salazar e de Caetano?

As Forças Armadas, de portuguesas só têm o nome. As Forças Armadas ditas portuguesas são hoje um grupo de mercenários, lacaios do imperialismo americano, francês e alemão.
Todas estas tropas mercenárias deviam recolher a Penates, para serem imediatamente desmobilizadas.

Os portugueses não podem nem têm de pagar tropas para defender os interesses do imperialismo, precisamente aquele mesmo imperialismo que também explora o nosso povo em Portugal, nas fábricas que já não são nossas, mas francesas, inglesas, suecas e alemãs, nos bancos que são espanhóis, nos mares que já só falam castelhano.

A política externa de Portugal não é a política da guerra, mas a política da paz. Não sou só eu que o digo, mas é sobretudo o artigo 7º da Constituição da República.

Nas relações internacionais, Portugal rege-se pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade.

Por outro lado, Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de qualquer outra forma de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos políticos militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectivo, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.

Finalmente, Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação, à independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão.

Se estes são princípios que, nos termos da Constituição da República, Portugal deve guardar nas suas relações internacionais, como poderá o povo Português tolerar que as suas Forças Armadas se tenham transformado numa força de mercenários, ao serviço do imperialismo americano, alemão e francês na África, na Europa e na Ásia?!

A política de guerra fora do território português, declarada na sessão extraordinária do Conselho Superior de Defesa Nacional do passado dia 24 de Março, viola grosseiramente os princípios de paz, da independência nacional e do respeito pela soberania dos povos, consagrados na Constituição da República e que o novel presidente jurou respeitar.

É claro que esta política militarista da guerra assanhada, proposta pelo governo português ao Conselho Superior de Defesa Nacional e por este aprovada, terá da parte dos povos que a vão ter de suportar no Mali, no Chade, na República Centro-Africana, na Síria, no Iraque, na Líbia e no Afeganistão, a resposta que não pode deixar de se esperar: os povos agredidos pelas Forças Armadas mercenárias portuguesas vão responder, dente por dente e olho por olho, no deles e no nosso próprio território.

E terão o direito de o fazer, pois a guerra que as forças armadas portuguesas moverem a esses povos, para defesa de meros interesses egoístas imperialistas, é injusta, enquanto que a guerra defensiva desses povos contra as forças agressoras é absolutamente justa.

A classe operária portuguesa, assim como os proletários de todos os países, povos e nações oprimidas do mundo inteiro, sabem que as guerras movidas pelo imperialismo e seus lacaios, para explorar e oprimir os proletários e povos do mundo são guerras injustas, enquanto que as guerras dos operários, povos e nações oprimidas do mundo contra a exploração e opressão são guerras inteiramente justas.

Os trabalhadores e povos da África e da Ásia que vierem a ser oprimidos pelas forças armadas portuguesas, lacaios do imperialismo francês, alemão e americano, irão sem sombra de dúvida atacar o nosso país em Lisboa, em qualquer parte do espaço terrestre, marítimo e aéreo da nação portuguesa, assim como as forças armadas portuguesas tiverem aparecido a atacar esses povos nos seus países de origem.

Compete aos proletários e ao povo português denunciar as operações militares em território estrangeiro agora propostas pelo governo de António Costa e aceites pelo Conselho Superior de Defesa Nacional, porque só evitando a agressão das forças armadas portuguesas no Mali, no Chade, na República Centro-Africana, no Iraque ou no Afeganistão, poderemos contribuir para que os povos agredidos nos termos de uma política reaccionária não sintam necessidade de retaliarem sobre o nosso povo, pacífico.

Lutemos conta a agressão das forças armadas portuguesas sobre os povos e territórios estrangeiros, porque só assim estaremos a lutar pela paz no nosso próprio território.
Exerçamos os nossos direitos de cidadãos contra os governos portugueses de direita, que se transformaram em lacaios do imperialismo, porque só assim lutaremos pela paz entre os povos!

Tudo isto é simples de compreender: o que é a guerra injusta e o que é a guerra justa? Onde está uma e onde acaba outra?

Mas impõe-se ainda uma outra questão: como podem o partido dito comunista, de Jerónimo de Sousa, e o bloco dito de esquerda, de Catarina Martins, apoiar um governo de direita, como o do partido dito socialista de António Costa, concedendo-lhe o apoio parlamentar que Costa logo transformou, no Conselho Superior de Defesa Nacional, num apoio às Forças Armadas portuguesas para ocuparem o Mali, o Chade, a República Centro-Africana, o Iraque e o Afeganistão e aí oprimirem e explorarem os povos e trabalhadores desses países?

Operárias e operários: se amanhã deflagrar um cinto de explosivos numa estação do nosso Metropolitano, em ataque contra a agressão das nossas tropas, a soldo do imperialismo, no Mali, no Chade, no Iraque, na República Centro-Africana, de quem é a responsabilidade política desse acto militar tão dramático?

Pensem nisso! E não temam exercer os vossos direitos políticos de cidadãos contra os governos reaccionários do chamado arco do poder, agora com o apoio do PCP e do BE, enquanto for tempo!

Uma coisa de mim nunca poderão dizer: que as vítimas, quaisquer que elas possam vir a ser, não foram avisadas a tempo!

Abaixo o governo Costa/Jerónimo/Catarina, lacaio do imperialismo!

Demita-se a associação de mercenários organizada em Conselho Superior de Defesa Nacional!







Arnaldo Matos. 21.04.2016"